18 maio 2018

Um Morto Falando ao Vivo

O Programa Visão Espírita apresenta pela primeira vez na TV o espírito desencarnado Dr. Inácio Ferreira falando através do médium Carlos Baccelli.

Dr Inácio desencarnou em 1988, tendo sido médico psiquiatra responsável pelas atividades do Sanatório Espírita de Uberaba durante 50 anos.

O médium Carlos Baccelli é odontólogo, participou da fundação e das atividades de muitas entidades espíritas doutrinárias e sociais de Uberaba/MG.

Também é um fértil psicógrafo do mundo espiritual . A parceria entre o médium Carlos Baccelli e o espírito Dr Inácio resultou até o presente momento em mais de 20 obras literárias.

Umas das perguntas feitas ao Dr. Inácio — Dr. Inácio, no seu âmbito de relacionamento no mundo espiritual, quais as principais considerações sobre as situações políticas que estão ameaçando a paz do mundo? Existe preocupação dos mentores espirituais quanto a essas ameaças à paz mundial?

— Sim. Às vezes eu tenho medo porque os homens sobre a Terra ficam na expectativa de uma intervenção do mundo espiritual superior modificando a situação. Essa intervenção não ocorre como os encarnados imaginam, nem como espíritas pensam. Como os Espíritos serão exilados do Planeta Terra? Eles irão de trem, de espaçonave? Observe a vinda dos capelinos. Eles não vieram diretamente, pois não tinham perispírito apropriado para isso. Tiveram que fazer escalas. O homem é o construtor do seu destino dentro das leis divinas. É o homem que constrói. Nós podemos entrar com a sugestão, com a ideia, com a inspiração. Cristo entrou com o Evangelho, com a ideia, que precisa ser posta em prática. Não imaginem que uma legião descerá do alto para modificar, para separar os bons dos maus. Deve-se tomar consciência, escolher melhor os governantes, cobrar mais das autoridades, ser mais ético em tudo que fizer. Por que, como Espíritos desencarnados, nos preocupamos com a situação do planeta? Porque futuramente poderemos reencarnar e queremos um planeta melhor. Além do esquecimento do passado, pesa muito a influência do meio. Quanto melhor as condições, mais facilidade teremos para progredir.

Assista ao vídeo:







17 maio 2018

Notas de Rodapé - Um Curso de Filosofia Espírita Comparada

José Herculano Pires alegava sofrer de grafomania, escrevendo dia e noite, e não seguia escolas literárias. Apenas comunicava o que achava necessário da melhor forma possível. Em vista disso, produziu muito conhecimento, que se traduz nas suas 84 obras publicadas. Além disso, organizou e dirigiu cursos de Parapsicologia para os Centros Acadêmicos da Faculdade de Medicina da USP, da Santa Casa de Misericórdia,entre outros. Proferiu muitas palestras espíritas e participou de diversos debates acerca do Espiritismo. 

Destaque: se compilássemos todas as notas de rodapé feitas por José Herculano Pires, ao longo das suas traduções das diversas obras espíritas, teríamos um curso de filosofia espírita comparada.

Eis algumas delas:

P. 615 (L. E.) A lei de Deus é eterna?
— É eterna e imutável, como o próprio Deus.
JHP — Por este princípio: "a lei natural é a lei de Deus, eterna e imutável, como Ele mesmo", certos teólogos católicos e protestantes acusam o Espiritismo de doutrina panteísta. O mesmo fizeram com Spinoza, para quem Deus, a substância única é a própria Natureza, mas não no seu aspecto material, e sim nas suas leis.

P. 621 (L. E.) Onde está escrita a lei de Deus?
— Na consciência.
JHP — Descartes, na terceira de suas Meditações Metafísicas, declara que a ideia de Deus está impressa no homem "como  marca do obreiro impressa na sua obra". Essa ideia de Deus é inata no homem e o impele à perfeição. Embora as escolas modernas de psicologia neguem a existência de ideias inatas, o Espiritismo sustenta essa existência, através do princípio da reencarnação. Por outro lado, as ideias de Deus, da sobrevivência, do bem e do mal existem e existiram sempre entre todos os povos. A lei de Deus está escrita na consciência do homem como a assinatura do artista na sua obra.

P. 628 (L. E.) — Por que a verdade não esteve sempre ao alcance de todos?
— É necessário que cada coisa venha a seu tempo. A verdade é como a luz: é preciso que nos habituemos a ela pouco a pouco, pois de outra maneira nos ofuscaria.
JHP — Os textos sagrados das grandes religiões, como a Bíblia e os Vedas, os sistemas de antigos filósofos, as doutrinas de velhas ordens ocultas ou esotéricas, todos encerram grandes verdades nas suas contradições aparentes.

P. 636 (L. E.) O bem e o mal são absolutos para todos os homens?
— O bem é sempre bem e o mal é sempre mal. A diferença está no grau de responsabilidade.
JHP — As pesquisas sociológicas deram motivo a uma reavaliação, em nosso tempo, do conceito tradicional de moral. Entendeu-se que a moral é variável, porque o bem de um povo pode ser mal para outro, e vice-versa. A moral relativa é a convencional, enquanto a moral absoluta é a ditada pela aspiração universal do bem, pela Lei de Deus gravada nas consciências.

P. 663 (L. E. ) As preces que fazemos por nós mesmos podem modificar a natureza das nossas provas e desviar-lhes o curso?
— Vossas provas estão nas mãos de Deus e há as que devem ser suportadas até o fim, mas Deus leva sempre em conta a resignação...
JHP — Spinoza dizia que "Deus age segundo unicamente as leis de sua natureza, sem ser constrangido por ninguém" (Proposição XVII da "Ética"), e afirmava a impossibilidade do milagre, por ser violação das leis de Deus. Também no tocante aos males individuais, alegava que eles não existiam na ordem geral do Universo.

P. 700 (L. E.)  A igualdade numérica aproximada entre os sexos é um indício da proporção em que eles se devem unir?
— Sim, pois tudo tem um fim na Natureza.
JHP — O Espiritismo é teleológico, tanto do ponto de vista físico quanto do ético. Henri Bergson, em L'Évolution Créatrice (Evolução Criadora), desenvolveu a teoria do elã vital, segundo a qual todo o curso da evolução, partindo da matéria mais densa, dirige-se à liberação da consciência no homem, aparecendo este como o fim último da vida na Terra. Essa é a tese espírita da evolução até os limites da vida terrena. Mas o Espiritismo vai além, admitindo a "escala dos mundos", através da qual a evolução se processa no infinito, sempre com a finalidade da perfeição.

09 maio 2018

Pires, José Herculano

José Herculano Pires (1914-1979) foi jornalista, filósofo e conferencista espírita. A sua vocação para as letras começou quando ainda tinha 16 anos de idade, quando publicou o conto Sonhos Azuis, seu primeiro livro. Trabalhou nos Diários Associados, exercendo, entre outras, as funções de repórter e redator. Manteve nesse jornal, por mais de 20 anos, uma coluna espírita com o pseudônimo de Irmão Saulo.

Em 1958, licenciou-se em Filosofia pela USP, tendo publicado uma tese existencial: O Ser e a Serenidade. Sua conversão ao Espiritismo se deu da seguinte forma: como era católico, não encontrava respostas para a sua crise religiosa. Frequentou um tempo a Teosofia. Quando se deparou com um exemplar de O Livro dos Espíritos, encontrou tudo o que procurava.

Além das muitas obras escritas, a sua contribuição ao movimento espírita era exemplar. Defensor da Doutrina Espírita, combateu erros doutrinários, principalmente os cometidos pelas Federações. Para cada erro apontado, dava as suas razões lógicas e doutrinárias. Um órgão coordenador do movimento espírita não pode divulgar erros.

José Herculano Pires publicou várias obras espíritas. Eis algumas delas: Introdução à Filosofia Espírita, Mediunidade (Vida e Comunicação), O Espírito e o Tempo, Agonia das Religiões, Revisão do Cristianismo, Ciência Espírita, Curso Dinâmico de Espiritismo e Centro Espírita.

Presentemente, as obras espíritas traduzidas por esse expoente da Doutrina Espírita são mais procuradas. Nas suas traduções, há diversas notas de rodapé, que nos auxiliam a compreender melhor o texto de Allan Kardec.

Há, no YouTube, uma entrevista curta e bastante didática de sua filha Heloísa Pires, a respeito José Herculano Pires. Vale a pena conferir.




Em 21 de outubro de 2012, Heloísa Pires participou do 24º Simpósio Espírita do Centro Espírita Ismael, cujo tema central foi: “O Espiritismo no Brasil e Meio Século da Nossa Casa Espírita”. Na ocasião, seu tema foi: "Herculano Pires e sua Obra". (Vídeo abaixo)

08 maio 2018

Astrologia

"Como o universo não é acidental, mas a manifestação da Vontade Divina, a astrologia pode ser a chave dessa interpretação."

Astrologia é a "arte de adivinhar o futuro pela observação dos astros". O "estudo das verdadeiras ou supostas relações entre o céu e a terra". "Busca da humanidade por significados profundos no céu". Modernamente,"estudo da influência dos astros, mais especificamente, dos signos do Zodíaco, no comportamento humano". Horóscopo, também conhecido como "mapa da hora", é a ferramenta de trabalho do astrólogo. É uma representação simbólica do zodíaco de doze constelações.

A astrologia surgiu há 2000 a.C. na Mesopotâmia e entre os povos da China Antiga. No Oriente, há uma diferença entre o sistema astrológico chinês e o da Índia. Os chineses usam animais para simbolizar o zodíaco de doze constelações. Nesse caso, cada animal é associado à personalidade daqueles nascidos em determinado ano. Na Índia, enfoca-se a previsão do destino das pessoas. Esse foco de previsão do futuro apareceu na astrologia ocidental e continua presentemente: eventos na vida de uma pessoa podem ser explicados pela posição dos astros.

Pesquisando sobre a astrologia, encontramos alguns termos, entre os quais: 1) astrologia judiciária. No momento em que uma criança nasce, os astros exercem influência sobre ela e fixam seu caráter e o seu futuro; 2) ZodíacoÉ a esfera celeste, cortado ao meio pela eclíptica, e que contém as doze constelações que o Sol percorre aparentemente durante um ano; 3) distribuição das doze constelações. As doze constelações são distribuídas em quatro grupos: Fogo (Áries, Leão, Sagitário), Terra (Capricórnio, Touro, Virgem), Ar (Libra, Aquário, Gêmeos) e Água (Câncer, Escorpião, Peixes).

Os estudiosos da astrologia pedem para que diferenciemos a astrologia dos jornais daquela defendida pelos grandes pensadores. Platão, Pitágoras, São Tomás de Aquino e Johan Kepler aceitaram a astrologia não como um meio de prever o futuro, mas como uma planta básica e simbólica da estrutura de funcionamento do universo que satisfazia a sua experiência interior.

Na pergunta 140  Os astros influenciam igualmente na vida do homem?  de O Consolador, o Espírito Emmanuel esclarece-nos que o campo magnético e as conjunções dos planetas influenciam no complexo celular do homem físico, em sua formação orgânica e em seu nascimento na Terra. Não diz nada sobre a influência na personalidade e no caráter.

Paulo Neto, em "Astrologia: pode-se acreditar em seus presságios?", oferece-nos alguns pontos de sua pesquisa nos livros espíritas. Vale a pena consultar: (http://www.oconsolador.com.br/ano6/264/especial.html)

Fonte de Consulta

CAVENDISH, Ricardo (org.). Enciclopédia do Sobrenatural: Magia, Ocultismo, Esoterismo, Parapsicologia. Consultor especial sobre Parapsicologia Professor J. B. Rhine. Tradução de Alda Porto e Marcos Santarrita. Porto Alegre: L&PM, 1993.

EDIPE - ENCICLOPÉDIA DIDÁTICA DE INFORMAÇÃO E PESQUISA EDUCACIONAL. 3. ed. São Paulo: Iracema, 1987.

26 abril 2018

Visitando o Poltergeist

O moderno espiritualismo ganhou musculatura a partir dos fenômenos de Hydesville. Em fins de 1847, J. D. Fox, um fazendeiro metodista, mudou-se com a esposa e as duas filhas, Margareth (14 anos) e Catherine ou Kate (12 anos) para uma casa de madeira em Hydesville, no Estado de Nova Iorque. Segundo o depoimento da mãe, as batidas e pancadas davam-se à noite e persistiram por vários meses, barulhos esses que muitas vezes mantinham a família acordada a noite toda.

Eis um trecho do diálogo de 31/03/1848:

— “Senhor Pé-rachado, faça o que eu faço, batendo palmas”.
Imediatamente se ouviram pancadas, em número igual ao das palmas. A sra. Margareth, animada, disse, por sua vez:
— “Agora faça exatamente como eu. Conte um, dois, três, quatro.”
Logo se fizeram ouvir as pancadas correspondentes.
— “É um espírito?”, perguntou, em seguida. “Se for, dê duas batidas.”
A resposta, afirmativa, não se fez esperar.
— “Se for um espírito assassinado, dá duas batidas. Foi assassinado nesta casa?”
Duas pancadas estrepitosas se fizeram ouvir.
Hoje, em Lily Dale, no Estado de Nova lorque, a tosca cabana é admirada como relíquia histórica e uma placa assinala a data considerada a do nascimento do Novo Espiritualismo. (http://www.guia.heu.nom.br/hydesville.htm)

O que significa poltergeist? Qual sua origem? Poltergeist é uma palavra alemã formada de Geist (espírito) e poltein (ruidoso, chocalhante). Em 858, perto da cidade de Birgen, há relatos de quedas de pedras, ruídos altos e pancadas, os quais eram associados a fenômenos causados por espíritos. Acentuam ainda que esses fenômenos eram imunes ao exorcismo. O poltergeist caracteriza-se por destruição de pratos, quinquilharias e movimento de objetos na cozinha. Esses fenômenos são raros e de pouca duração. Por volta de dois meses.

Diferença entre assombração e poltergeist. O poltergeist ocorre na vizinhança de uma determinada pessoa, geralmente menino ou menina na adolescência. Assombração, crença de que o espírito de uma pessoa morta permaneça no seu habitat ou a ele retornou, não se relaciona diretamente com uma pessoa, mas com um determinado local, tal como, uma "casa mal-assombrada".

Fonte de Consulta

CAVENDISH, Ricardo (org.). Enciclopédia do Sobrenatural: Magia, Ocultismo, Esoterismo, Parapsicologia. Consultor especial sobre Parapsicologia Professor J. B. Rhine. Tradução de Alda Porto e Marcos Santarrita. Porto Alegre: L&PM, 1993.


20 abril 2018

Humanidade

A humanidade significa o conjunto dos seres humanos. Tem como sinônimo o gênero humano. Pode ser entendida, também, como o conjunto das características de todos os homens. No fundo do termo "humanidade", encontra-se o homem que, para a filosofia, é um "animal racional", visto que seus pensamentos e seus atos emergem de uma dada racionalidade. Assim, diz-se que a diferença específica com relação ao animal é a sua capacidade de pensar, de raciocinar, de conceituar.

A problemática da humanidade reside na atualização dos "dados" apresentados em cada época da história. Esses "dados" estão em estado "potencial", virtual que, ao longo do tempo, o ser humano deverá fazer o exercício de sua atualização.E como isso se sucede? Aplicando o "dever-fazer", ou seja, atuando de forma a incrementar sempre um novo conhecimento, uma nova conduta ao que já foi sedimentado no seu passivo espiritual.

Agostinho, Confúcio, Jesus Cristo e Allan Kardec são boas sugestões numa possível lista de nomes no transcorrer da histórica. Cada um a seu tempo deu sua contribuição. Jesus Cristo, por exemplo, nos trouxe a lei do amor e enfatizou o amar ao próximo como a si mesmo. Allan Kardec fala-nos da regeneração da humanidade. Para tanto, o ser humano terá que vencer o orgulho e o egoísmo, os dois cancros da sociedade moderna.

Allan Kardec, em Obras Póstumas, esclarece-nos acerca da regeneração da humanidade. A Terra não será transformada por um cataclismo. A geração atual será gradualmente substituída por uma nova e mais bem preparada para gerir os avanços necessários à missão do Planeta. "Em cada criança que nasça, em lugar de um Espírito atrasado e propenso ao mal, encarnará um Espírito mais adiantado e propenso ao bem. Trata-se, portanto, muito menos de uma nova geração corporal, do que de uma nova geração de Espíritos".

A regeneração da Humanidade faz parte da Lei do Progresso e está nos planos de Deus. Nosso próprio Planeta já passou por várias transformações físicas, desde a sua criação, há 5 bilhões de anos. É possível que, materialmente, ainda haja reparos a serem feitos, pois nenhuma revolução física se faz da noite para o dia. Contudo, os cataclismos previstos nos Evangelhos nada têm de material; eles são eminentemente morais.

O Espiritismo, codificado por Allan Kardec, oferece-nos informações valiosas para a nossa mudança comportamental e para a regeneração da humanidade. Basta que nos debrucemos sobre os seus princípios fundamentais. 

15 fevereiro 2018

Bem e Mal Sofrer

Este tema “Bem e Mal Sofrer” diz respeito às instruções dos Espíritos (Lacordaire), que se encontra no capítulo V “Bem-Aventurados os Aflitos”, de O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec. Este capítulo discorre sobre as causas atuais, as causas anteriores e a justiça das aflições, o esquecimento do passado, os motivos de resignação, o suicídio e a loucura, a felicidade não é deste mundo, entre outros.

Para bem entendermos a questão do bem e mal sofrer, convém observar a diferença que há entre dor e sofrimento. A dor é fisiológica; o sofrimento, psicológico. O sofrimento é um conceito mais abrangente e complexo do que a dor. Em se tratando de uma doença, é o sentimento de angústia, vulnerabilidade, perda de controle e ameaça à integridade do eu. Pode existir dor sem sofrimento e sofrimento sem dor. O sofrimento, sendo mais vasto, é existencial. Ele inclui as dimensões psíquicas, psicológicas, sociais e espirituais do ser humano. A dor influi no sofrimento e o sofrimento influi na dor.

O sofrimento não é castigo de Deus. O Espiritismo ensina-nos que todos os nossos sofrimentos estão afeitos à lei de ação e reação. Estudando pormenorizadamente este capítulo (Bem-Aventurados os Aflitos) vamos aprendendo que Deus, inteligência suprema e causa primária de todas as coisas, deixa sempre uma porta aberta ao arrependimento e o ressarcimento da falta cometida.

Reação não é sempre sofrimento? Geralmente, a palavra reação vem impregnada de dor e sofrimento. É empregada como sinônimo de carma (sofrer e resgatar as dívidas do passado). Em realidade, a reação nada mais é do que uma resposta – boa ou má –, em razão de nossas ações. Pergunta-se: se estamos praticando boas ações, por que aguardar o sofrimento?

Como a cruz é o símbolo do sofrimento, relembremos esse pequeno conto. Um indivíduo tinha recebido a sua cruz e deveria carregá-la montanha acima. Como estava pesada, cortou alguns pedaços. Chegando ao topo da montanha, deveria usá-la como ponte para a outra montanha. Fato: o comprimento foi insuficiente, e teve de voltar para pegar os pedaços que tinha deixado ao longo do caminho. Pode-e entender como uma metáfora de nossa jornada terrestre que, ao caminharmos, vamos encontrando dificuldades. Fugindo delas, teremos de voltar em uma nova encarnação para a devida reparação.

Observe um trecho das instruções dos Espírito. Eles nos dizem: “... Ficai satisfeitos quando Deus vos envia à luta. Essa luta não é o fogo da batalha, mas as amarguras da vida, onde é preciso, algumas vezes, mais coragem do que num combate sangrento, porque aquele que ficaria firme diante do inimigo, se dobrará sob o constrangimento de uma pena moral. O homem não é recompensado por essa espécie de coragem, mas Deus lhe reserva os louros e um lugar glorioso”.

Repitamos com os Espíritos: "Serão bem-aventurados aqueles que tiverem oportunidade de provarem sua fé, sua firmeza, sua perseverança e sua submissão à vontade de Deus, porque terão em cêntuplo a alegria que lhes falta na Terra".  

14 fevereiro 2018

Aprendiz do Evangelho

O Evangelho, a boa nova, trazido por Jesus Cristo é um ideal de perfeição para todos os viventes. Nele, há orientações e instruções para o bom comportamento no lar, na via pública, no bairro e na sociedade como um todo. As lições são claras, puras; contudo, para bem captá-las o nosso coração também deve ser puro. 

Qual o problema? há uma diferença fundamental entre obter informações desses conhecimentos e aplicá-los no dia-a-dia. Por quê? Estamos mais interessados na capa de santo do que na verdadeira santidade. Não é sem razão que o Espírito Emmanuel, grande divulgador do Evangelho nas terras brasileiras, está sempre pedindo um aprofundamento a respeito das parábolas e ensinos de Jesus. Nesse caso, a leitura dos seus livros "Pão Nosso", "Vinha de Luz", "Caminho, Verdade e Vida" e "Fonte Viva" deve ser feita diariamente. 

Aproximar-se do Evangelho assemelha-se muito aos nossos pedidos quando estamos prestes a reencarnar. Um Espírito cheio de dívidas pede para vir aleijado, sem olhos, sofrer todo o tipo de dor, inclusive o desprezo do seu semelhante. Quando encarnado, porém, esquece de sua intenção e volta a cair nos mesmos erros de outrora.  

Dizer-se seguidor do Evangelho, em muitos casos, é mera formalidade. O que realmente conta é o que estamos fazendo com os ensinamentos do mestre Jesus. Lembrete útil: ao partirmos para a outra vida não nos perguntarão o que fomos, mas que tipo de conhecimentos, ações e prática da caridade estamos levando em nosso passivo espiritual. 

Ninguém tem a obrigação de seguir os desmandos da sociedade moderna, chafurdada no materialismo e na satisfação dos apetites da carne. É possível que os bons Espíritos estejam nos preparando um caminho mais de acordo com a moral evangélica. Não percamos tempo: metamos mão à obra. 

13 fevereiro 2018

Educação na Revista Espírita

Educação de Além-Túmulo

Escrevem-nos de Caen:

“Uma mãe e suas três filhas, querendo estudar a Doutrina Espírita, não podiam ler duas páginas sem sentir um mal-estar, de que não se davam conta. Um dia encontrei-me em casa dessas senhoras com uma jovem médium, sonâmbula muito lúcida; Esta adormeceu espontaneamente e viu perto de si um Espírito que reconheceu como o abade L..., antigo cura do lugar, morto há uns dez anos.

“P. – Sois vós, senhor cura, que impedis esta família de ler?

“Resp. – Sim, sou eu. Velo incessantemente sobre o rebanho confiado aos meus cuidados. Há muito tempo que vos vejo querer instruir minhas penitentes em vossa triste doutrina. Quem vos deu o direito de ensinar? Fizestes estudos para isto? (R.E. maio 1868, p. 204)

Educação errada incentiva a gulodice

De todas as pragas morais da sociedade, o egoísmo parece a mais difícil de desenraizar; ela é tanto mais, com efeito, quanto é entretida pelos próprios hábitos da educação. Parece que se toma, desde o berço, a tarefa de excitar certas paixões que se tornam mais tarde uma segunda natureza, e se espanta dos vícios da sociedade, então que as crianças os sugam com o leite. Eis disso um exemplo que, como cada um pode julgá-lo, pertence mais à regra do que à exceção.

10 fevereiro 2018

Benefícios do Esquecimento do Passado

Para o Espiritismo, o esquecimento do passado é uma bênção, pois reforça a ideia de que Deus não faz nada que seja inútil ao nosso progresso espiritual. Suponha que tenhamos assassinado alguém em outra encarnação e, que, nesta, essa pessoa é membro de nossa família. Como seria o nosso relacionamento, permeado incessantemente de remorso, pela falta cometida?

Como a lei divina e natural age sempre em nosso benefício, esse esquecimento provisório dá-nos mais liberdade de ação, pois sem a lembrança não há o que remoer. De qualquer maneira, nada fica esquecido por completo, e havendo necessidade, podemos acessar as ocorrências de outras encarnações, pois elas ficam gravadas na memória do nosso Espírito imortal.

A reencarnação é uma oportunidade de progresso. Allan Kardec, em Obras Póstumas, quando analisa o caminho da vida, fazendo referência à metáfora da floresta, diz-nos que se um indivíduo foi ladrão e assassino numa delas, poderá retornar apenas como ladrão, não tendo mais o desejo de matar as pessoas. Para que teria necessidade de se lembrar que também foi assassino? Não seria melhor concentrar-se na vitória sobre ser ladrão?


Cada um de nós tem o seu estoque de erros e acertos. Tudo fica registrado na contabilidade divina. Os Espíritos nos orientam que, mesmo tendo o esquecimento do passado, esses registros podem vir em forma de intuição para determinados projetos de vida. Quer dizer, nada fica totalmente incólume. O progresso é compulsório: podemos nos enganar adiando o seu avanço, mas chega uma hora em que não teremos outra opção senão ceder à sua força.


Em se tratando do progresso, quanto mais conhecimento maior a nossa responsabilidade e, por essa razão, seremos mais cobrados. Nesse caso, seria melhor não saber para não ser punido. Mas o progresso avança e não adianta lamentar, mas enfrentar a vida tal qual ela é. Todos começamos simples e ignorantes. Para atingirmos a qualidade de Espíritos perfeitos, haverá muita luta e muito esforço, pois nada nos vem de mão beijada. 


Caso não tenhamos a força necessária para tal empreendimento, lembremo-nos das orientações de Jesus, que sempre nos orienta a tomar o caminho do meio, da ponderação e da obediência às leis de Deus.



29 janeiro 2018

Espírito e o Tempo, O (Livro)

José Herculano Pires, nos anos 60, para ministrar um Curso de Introdução Antropológica ao Espiritismo, pesquisa a fase pré-histórica e histórica da criação e aborda o tríplice aspecto da Doutrina Espírita e a prática mediúnica. Foi eleito o 7.º melhor livro espírita do Século XX. Contém material útil ao aprofundamento da filosofia espírita. 

Dedica boa parte do livro ao estudo dos horizontes que a mente humana pode abarcar. Horizontes são as diversas visões de mundo num determinado período da história da civilização. Esses horizontes nos dão a dimensão da evolução do indivíduo quanto à sua relação com a filosofia e ao sagrado. O material colhido autoriza-o a afirmar que todas as filosofias, na sua origem, sempre foram espiritualistas. 

O ponto central de sua obra é a comparação com os pressupostos espíritas, alicerçando-se, para tal, nas obras básicas e complementares do Espiritismo, em que O Livro dos Espíritos tem um destaque especial. Faz referência às leis naturais, ora citando a "Lei de Adoração", ora a "Lei de Igualdade", entre outras. Quer com isso enaltecer a moral do Cristo como ponto fundamental do relacionamento humano em sociedade.

Elogia Kardec por sua síntese de toda a história da civilização. Chama-nos a atenção a respeito de o Espiritismo ser um detalhe no qual a generalidade é o espiritualismo, e isso está expresso na introdução de O Livro dos Espíritos, denominando o Espiritismo de Filosofia Espiritualista. Acrescenta o tríplice aspecto da Doutrina Espírita - ciência, filosofia e religião -, que muitos têm grande dificuldade em compreendê-la.

O Espiritismo é um detalhe dentro da generalidade do espiritualismo. Vemos isso nos prolegômenos de O Livro dos Espíritos. Kardec diz que o Espiritismo é uma filosofia espiritualista, ou seja, o Espiritismo faz parte de todas as filosofias que aceitam o espírito como fundamento básico da criação. Isso é o geral. No particular, cria o termo Espiritismo com sua linguagem própria.

Na trajetória do livro, começa com o mediunismo primitivo. Depois, vai lentamente passando para as outras fases, que são o animismo, o culto dos ancestrais, o mediunismo oracular e o mediunismo bíblico para, em seguida, realçar o papel da  mediunidade positiva, que só foi possível com a codificação do Espiritismo por Allan Kardec.

Para que o Espiritismo, no seu tríplice aspecto, pudesse ter bom êxito, houve a necessidade do desenvolvimento das ciências naturais, com o seu caráter experimental. Sem a fundamentação da ciência, o Espiritismo poderia abortar. Por quê? Porque a fé já não podia ser mais dogmática; ela teria de ser raciocinada. Ninguém crê por crer, mas crê porque sabe.

Estas poucas palavras sobre o livro soam mais como um convite ao seu estudo do que a uma análise profunda de seu conteúdo. 

15 janeiro 2018

Jerusalém

Jerusalém, capital de Israel, sempre foi palco de combates e guerras, a maioria por questões religiosas, pois tanto os judeus como os cristãos e os muçulmanos consideram-na sagrada.

Jerusalém é sagrada para os judeus porque nos templos bíblicos, o filho de Davi, rei Salomão, construiu o primeiro templo judeu na cidade. É sagrada para os cristãos por causa das passagens de Cristo e, também, pela sua crucificação. Embora seja a terceira cidade sagrada, depois de Meca e Medina, na Arábia Saudita, os muçulmanos acreditam que Maomé, o fundador da religião, tenha subido aos céus em Jerusalém. 


Os sabás, em Jerusalém, são distribuídos da seguinte forma: Sexta-feira (muçulmanos), sábado (judeus) e domingo (cristãos). Quanto aos lugares sagrados, temos: Muro das Lamentações (dos judeus), a igreja do Santo Sepulcro (dos cristãos) e o Santuário da Pedra (dos muçulmanos). Eles se encontram na Cidade Velha.


A história de Jerusalém, desde 1 000 a.C., é retratada pelas constantes guerras em que os judeus ora possuem as terras e ora são despojados delas. Resumo do perde-ganha de Jerusalém: em 587 a.C., o templo de Jerusalém é destruído; em 538 a.C., reconstruído. Em 400 a.C., o controle do templo passa para os sacerdotes; em 165 a.C., reconquistam-no. Em 63 a.C., Jerusalém caiu nas mãos dos soldados romanos; em 70 d.C., reconquistam-no...


Por que não chegam a um acordo? Pelo egoísmo e vaidade da alma humana? Provação coletiva? 


Fonte de Consulta


ENCICLOPÉDIA DELTA UNIVERSAL

11 janeiro 2018

Judas Iscariotes

Judas é o nome de dois apóstolos: Judas Tadeu e Judas Iscariotes, o que traiu Jesus. Figuradamente, o mesmo que traidor, por alusão ao apóstolo que traiu Jesus. Boneco de estafermo que, em algumas localidades, se queime no sábado de Aleluia.

Judas Iscariotes. O último lugar na lista dos apóstolos com a nota de que "foi traidor". Tornou-se tesoureiro, ou seja, a pessoa encarregada de cuidar dos recursos financeiros do grupo. Acompanhou Jesus durante a sua vida pública. Judas entregou Jesus a seus inimigos por 30 moedas de prata. Acompanhou os soldados que prenderam Jesus no Horto e identificou-o com um beijo.

Até a psicografia de Chico Xavier, o mundo conhecia Judas como um traidor e, por isso, merecia ser malhado a cada ano durante a Paixão de Cristo. O Espírito Humberto de Campos dá-nos outra visão, especificamente nos livros "Crônicas de Além-Túmulo" e "Boa Nova", alertando-nos para a ilusão do discípulo que não conseguia compreender bem a missão do seu Mestre.  

No capítulo 5 "Judas Iscariotes", de Crônicas de Além-Túmulo,  Judas diz: "o Sinedrim desejava o reino do céu pelejando por Jeová, a ferro e fogo; Roma queria o reino da Terra. Jesus estava entre essas forças antagônicas com a sua pureza imaculada. Ora, eu era um dos apaixonados pelas ideias socialistas do Mestre, porém o meu excessivo zelo pela doutrina me fez sacrificar o seu fundador. Acima dos corações, eu via a política, única arma com a qual poderia triunfar e Jesus não obteria".

No capítulo 24 "A Ilusão de Discípulo", de Boa Nova, há um diálogo entre Judas e Tiago. Judas critica a demasiada simplicidade do Jesus, dizendo que as reivindicações do nosso povo exigem um condutor enérgico e altivo... Tiago, por sua vez, contrapõe tal argumento: "Israel sempre teve orientadores revolucionários; o Messias, porém, vem efetuar a verdadeira revolução, edificando o seu reino sobre os corações e nas almas!"... 

A vida de Judas, desde a sua aceitação por Jesus até o seu suicídio, deve ser motivo de reflexão para nós: a sua ilusão pode ser a nossa, só que em outros tempos e circunstâncias.