18 novembro 2015

Dúvida

Dúvida. É um estado de ânimo que caracteriza a indecisão, a indeterminação, a incerteza entre duas ou mais responsabilidades. Há grande dificuldade em conceituar a dúvida, pois esta palavra nos remete a uma série de étimos, os quais podem significar: duplo, ambíguo, descrença, desconfiança, hesitação etc. Há, também, o aspecto problemático, enigmático e misterioso da dúvida. 

A dúvida pode ser teórica, existencial, positiva e negativa. Como distinguir a dúvida teórica da existencial? Diante de uma verdade especulativa, a dúvida se torna teórica. Diante da impossibilidade de nos ligarmos a alguém confiantemente, a dúvida se torna existencial. A dúvida teórica impede a certeza; a dúvida existencial, a . A dúvida é negativa quando deixa a alma insegura e angustiosa. É positiva, quando representa o ponto de partida para as descobertas cientificas e filosóficas.

No pensamento antigo, confiava-se mais nas evidências imediatas oferecidas pelos sentidos e pela razão. Os primeiros filósofos apregoavam a admiração e o espanto pela harmonia do cosmos. Em se tratando do Velho Testamento, logo no começo, a Bíblia cita o pecado original, uma espécie de desconfiança do ser humano em relação a Deus. Adão e Eva tratam Deus como seu rival. Por isso, a tentação, a desobediência. 

No Novo Testamento, há também muitas dúvidas dos apóstolos em relação a Jesus. No início, a dúvida era positiva, pois assim se expressavam em relação a Jesus: "Que homem é este que opera tantos milagres?" Depois, principalmente na Paixão de Cristo, duvidam de seus ensinamentos. Pedro o nega por três vezes. 

A dúvida na ciência e na filosofia. Descartes (1596-1650) foi o precursor da dúvida metódica: colocava entre parênteses todo o seu saber até encontrar bases sólidas sobre as quais assentá-lo. Marx (1818–1883) colocou em dúvida as ideologias existentes e propôs a luta de classes. Nietzsche (1844-1900) suspeitava das "verdades morais": por detrás delas havia o medo da vida, a inveja pelos poderosos. Freud (1856-1939) analisa a dúvida através dos processos libidinosos do subconsciente: nossas ações refletem um disfarce dos recalques ali armazenados. 

Presentemente, o meio dificulta a fé religiosa. O pragmatismo da vida moderna, a luta pela sobrevivência e anelo de posse afastam o ser humano da vivência plena do Evangelho de Jesus. Há, também, a influência dos maus exemplos dos cristãos mais velhos. 

Lembremo-nos de que a fé cristã sempre foi uma luta contra a dúvida que nasce do coração. É por esta razão que Allan Kardec, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, insiste para que todo o cristão faça uso da fé raciocinada, que é a única que pode encarar a razão, face a face, em todas as épocas da humanidade. 

Fonte de Consulta

IDÍGORAS, J. L. Vocabulário Teológico para a América Latina. São Paulo: Paulinas, 1983.




Complemento

Heresias

E até que importa que haja entre vós heresias, para que o que são sinceros se manifestem entre vós — Paulo (I Coríntios, 11,19)

"Recebamos os hereges com simpatia, falem livremente os materialistas, ninguém se insurja contra os que duvidam, que os descrentes possuam tribunais e vozes". (Caminho Verdade e Vida, cap. 36)

Amas o bastante

Perguntou-lhe terceira vez — Simão, filho de Jonas, amas-me? (João, 21,17)

Não era suspeita de Jesus. Jesus iria confiar a Pedro o ministério da cooperação nos serviços redentores. "O pescador de Cafarnaum ia contribuir na elevação de seus tutelados no mundo, ia apostolizar, alcançando valores novos para a vida eterna".  (Caminho Verdade e Vida, cap. 97)

Não Duvides

"...O que duvida é semelhante à onda do mar, que é levada pelo vento e lançada de uma para outra parte." — Tiago. (Tiago, 1:6).

Em teus atos de fé e esperança, não permitas que a dúvida se interponha, como sombra, entre a tua necessidade e o poder do Senhor.

A força coagulante de teus pensamentos, nas realizações que empreendes, procede de ti mesmo, das entranhas de tua alma, porque somente aquele que confia consegue perseverar no levantamento dos degraus que o conduzirão à altura que deseja atingir.

A dúvida, no plano externo, pode auxiliar a experimentação, nesse ou naquele setor do progresso material, mas a hesitação no mundo íntimo é o dissolvente de nossas melhores energias.

Quem duvida de si próprio, perturba o auxílio divino em si mesmo.

Ninguém pode ajudar àquele que se desajuda.

Compreendendo o impositivo de confiança que deve nortear-nos para a frente, insistamos no bem, procurando-o com todas as possibilidades ao nosso. alcance.

Abandonemos a pressa e olvidemos o desânimo.

Não importa que a nossa conquista surja triunfante hoje ou amanhã. Vale trabalhar e fazer o melhor que pudermos, aqui e agora, porque a vida se incumbe de trazer-nos aquilo que buscamos.

Avançar sem vacilações, amando, aprendendo e servindo infatigavelmente — eis a fórmula de caminhar com êxito, ao encontro de nossa vitória. E, nessa peregrinação incansável, não nos esqueçamos de que a dúvida será sempre o frio do derrotismo a inclinar-nos para a negação e para a morte.

Fonte Viva, capítulo 165 (Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier)



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