29 maio 2013

Coação

Coação é ação ou efeito de coagir. Exigência, imposição, emprego de meios coercitivos. É o uso da força a fim de impor o respeito pela ordem jurídica.

coação ou violência pode ser exercida por um dos contraentes ou por terceiro. Divide-se em física e moral.  A coação física (vis absoluta) consiste em maus tratos físicos, ofensas corporais, sequestros etc. A coação moral (vis compulsiva) é constituída pela ameaça de um mal que recairá sobre o outro contraente ou sobre terceiro; é exercida por qualquer meio de intimidação psíquica.

Os requisitos necessários para que uma ameaça seja coação são:

a) que a ameaça seja verdadeira e séria, e não apenas suspeita; 
b) que seja ilícita, e não legitimamente empregada; 
c) que o mal seja grave, isto é, que importe um dano superior ao do próprio consentimento; 
d) que o temor seja razoável, quer dizer, que o medo esteja em proporção com a resistência da pessoa ameaçada;  
e) que exista um nexo de causalidade entre a ameaça e o consentimento, ou seja, que aquela tenha sido empregada para extorquir este.

Em se tratando dos nossos relacionamentos, convém verificar se não estamos coagindo alguém ou sendo coagido por alguém. Em religião, costuma-se persuadir pela palavra, que muitas vezes não passa de uma coação implícita. Nesse mister, há muito fundamento na frase: “Todos são inocentes até serem pegos”. Quer dizer, quantos não praticam atos ilícitos e ficam à margem da punição, porque nunca foram descobertos?

Na Doutrina Espírita não há imposição de seus princípios. O Espiritismo fundamenta-se na liberdade de consciência. Em suas obras básicas e complementares, há a explicitação da lei de ação e reação ou de causa e efeito. Refletindo sobre as consequências apontadas (em virtude de determinados atos), podemos praticar ou deixar de praticá-los. 

Fonte de Consulta 

GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA. Lisboa/Rio de Janeiro: Editorial Enciclopédia, [s.d. p.].


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Ontologia, Ontoteologia e Espiritismo

Ontologia é a teoria dos entes, ramo da metafísica que se interessa pela natureza do ser. “Ente” representa todas as coisas sobre as quais se pode dizer que são. Nesse caso, a ontologia é a teoria do ser enquanto tal. Ontoteologia é a teoria do ser divino. O “onto”, que se refere ao ente (ou ao ser); o “teo”, que se refere a Deus (ou aos deuses); o “logos”, que se refere ao saber, ou ao saber enquanto “falar”. 

A tarefa da ontologia é perguntar pelas características básicas que tornam possível dizer que algo ou um estado de coisas, um evento, é. O problema ontoteológico surge quando Heidegger questiona esses termos ao verificar que Hegel equipara “Ser” com “a Ideia Absoluta”. A estrutura “ontoteológica” da metafísica tem de revelar por que entraram na filosofia Deus e o Ser, e, além disso, por que se apresentam como “objetos” do “logos”, com o sistema articulado de saberes. (2)

Na história da filosofia, observamos as dificuldades para se explicar a relação mente-corpo. A teoria do ser tem sua síntese na filosofia espírita, quando pela revelação e pela cogitação surge, além do Espírito e da Matéria, o termo “Perispírito”. Quer dizer, ao se introduzir o conceito de perispírito, eliminamos a dualidade existente entre mente e corpo. Nós somos um Espírito (Espírito + perispírito + corpo físico) que, momentaneamente, está habitando um corpo de carne.

Na ótica espírita, a ontoteologia pode ser vista da seguinte forma: para Aristóteles, o Ser é “aquilo que é”. Na Bíblia é Deus quem fala, embora figuradamente, e se explica: “Eu sou o que é”. Deus é e se afirma na intuição cartesiana de Um Ser supremo, como se afirma no sentimento intuitivo kardeciano. Na Filosofia Espírita o conceito de Ser abrange todas as categorias daquilo que é, concordando portanto com o pensamento filosófico antigo e moderno.

A definição do Ser supremo está posta na pergunta 1 de O Livro dos Espíritos: “Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas”. Em termos didáticos, dizemos: Deus é a causa primária de todas as coisas. Dele vertem-se dois princípios: material e espiritual. O principio espiritual individualizado torna-se espírito; a individualização do principio material dá origem à matéria. No ser humano, para haver a ligação entre espírito e matéria, há necessidade de um intermediário, o perispírito. 

Os seres têm essência e essa essência se desenvolve através da evolução: é o princípio inteligente. No ser humano, essa realidade se apresenta no complexo Espírito, Perispírito e Matéria. Entre os dois últimos existe ainda o fluido vital. Toda essa complexidade, entretanto, é simplesmente a expressão  pluralista de um monismo fundamental. A essência é que tudo domina. Ela é a realidade última. Mas só através da existência conseguimos atingi-la.

Tenhamos em mente que a essência do Espírito é indestrutível, pois representa a atualização das potencialidades do princípio inteligente, uma criação de Deus para fins que ainda desconhecemos.

Fonte de Consulta

(1) CASTRO, Susana de. Ontologia. Rio de Janeiro: Zahar, 2008 (Filosofia passo-a-passo, 83) 
(2) MORA, J. Ferrater. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Loyola, 2004. 
(3) PIRES, J. Herculano. Introdução à Filosofia Espírita. São Paulo: Paideia, 1983. 





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01 maio 2013

Laços de Família

O termo “laços” tem inúmeras interpretações tanto na mitologia quanto na iconografia. Para o nosso propósito, os laços devem ser vistos como os compromissos contraídos espontaneamente. Assim, podemos entender por laços de família, os compromissos contraídos pelos Espíritos de viverem em determinadas famílias que, segundo o Espiritismo, podem ser de duas espécies: as famílias pelos laços espirituais e as famílias pelos laços corporais.

Convém ressaltar que há uma diferença fundamental entre os laços da família material e os da família espiritual. Os laços das famílias espirituais se fortalecem pela purificação das almas e se perpetuam no mundo espiritual, principalmente pelas reencarnações sucessivas. Os laços das famílias materiais são frágeis e se extinguem com o tempo. Muitas vezes na presente encarnação.

No mundo espiritual, os Espíritos formam famílias unidas pela afeição, pela simpatia e semelhança de inclinações. De acordo com essas afinidades, os Espíritos se atraem para viverem conjuntamente. Nesse contexto, a encarnação de um de seus membros não corta esse laço familiar. A ruptura é momentânea. Depois de passar pela prova em uma nova reencarnação, ele volta para o seio de sua família espiritual. É como se fosse o retorno de uma viagem. Os que estão desencarnados velam pelos que estão no mundo da matéria.

O estudo de "os laços de família" permite entender a simpatia e a antipatia que existe entre os cônjuges. De acordo com as vivências passadas (outras encarnações), os Espíritos podem ter sido muito amigos ou estranhos entre si. Quando muito amigos, acabam gerando simpatia entre eles. No caso de serem estranhos, geram a antipatia. Daí, concluirmos que os verdadeiros laços de família não são os da consanguinidade, mas os de simpatia e da comunhão de pensamentos que unem os Espíritos antes, durante e após a encarnação.

Numa crise familiar, o princípio da reencarnação assume papel fundamental. Ele convoca os interessados a refletirem sobre um novo campo de observações, impelindo-os à tolerância, sem a qual não conseguirão o entendimento para cumprir a missão pela qual se propuseram a realizar neste planeta de provas e expiações.

Cabe lembrar, também, que a não-reencarnação traz graves consequências para os laços de família. A não-reencarnação anula a preexistência da alma. Alma e corpo são criados ao mesmo tempo. Não existe afinidade anterior entre pais e filhos. A filiação reduz-se unicamente ao laço corporal, sem nenhum laço espiritual.

Procuremos, assim, sob a luz de Jesus, fortificar cada vez mais os nossos laços familiares. O esforço de hoje, para vencer uma crise momentânea, pode nos propiciar muitos anos de felicidade no futuro próximo.




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