16 julho 2012

Respeito à Função do Outro


"Para as pessoas que se odeiam, qualquer coisa é motivo de confusão, inclusive a fixação da tela inicial de um computador".

Num dado setor de um Centro Espírita, cada um dos usuários de um computador punha a sua tela (inicial) favorita. Embora não fosse regra, acabou se tornando um costume, um hábito. De repente, um deles, porque não gosta do outro, resolve, por conta própria, fixar a tela a seu gosto. O outro chega para o seu turno trabalho e não consegue mais modificar a tela. Qual a sua reação? Reportar-se ao presidente da entidade.

É a partir desse ponto que começamos essa reflexão. Por que ele foi direto ao presidente em vez de ir ao responsável por aquela área de serviço? Fez por impulso? Não teria confiança no seu chefe direto? Acha que o presidente tem poderes ilimitados? Acontece que o presidente não é o dono, como se costuma falar sobre a administração de Centros Espíritas. Sua função é ordenar as funções dos outros. Ordenar não significa mandar, mas distribuir tarefas segundo as determinações do próprio estatuto social.

Vejamos, contudo, como um pequeno deslize nas regras de utilização pode fazer-nos perder muito tempo, além de deixar muitas pessoas estressadas. O presidente, depois de repensar o que houve, tem que entrar em contato com o diretor daquela área, para ver se ela tinha autorizado aquela mudança; depois, tem de conversar com a pessoa que provocou tal mudança; posteriormente, dar satisfação ao que trouxe a reclamação. Se cada um cumprisse as suas funções, nada disso estaria acontecendo e nem precisaríamos estar escrevendo sobre isso.

Este é apenas um relato do que pode acontecer numa organização quando não aprendemos a respeitar as pessoas que foram colocadas na função de chefia.  Uma coisa simples pode se tornar uma bola de neve: um fica descontente aqui, outro ali, e assim vamos contaminando toda a organização. Num Centro Espírita, devemos ter em mente que essas desavenças podem diminuir a sua proteção espiritual, abrindo-se brechas para que Espíritos menos felizes imponham a sua vontade ao grupo.

Falar na tribuna, expressar comentários altruístas e recitar pensamentos elevados pode ser relativamente fácil; a dificuldade está em colocá-los em prática. Se nós, que já temos certa idade, não tolerarmos os defeitos dos mais jovens, ainda inexperientes da vida, bem longe estamos de seguir os exemplos de Jesus, que nos ensinava a perdoar não sete, mas setenta vezes sete vezes. 
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11 julho 2012

Seguindo Jesus


“... Que te importa a ti? Segue-me tu” – Jesus. (João, 21,23)

Em nossas atividades no campo da vida e, mais especificamente, no campo da religião, passamos por diversos incômodos, que nos desagradam e nos arrastam às desilusões e ao sentimento de ingratidão. Em vista desse desalento, parece que o mundo rui sobre nós e não temos mais vontade de continuar a nossa tarefa, profissional ou mediúnica. Isso, porém, não é novidade: não será a primeira nem a última vez.

Pessoas que nos exortavam ao trabalho, agora surgem indiferentes; pessoas que julgávamos detentoras da verdade, agora estão no mundo da mentira; pessoas que quando ainda estávamos no posto de comando nos respeitavam e nos obedeciam, agora nos isolam, deixam-nos longe daquilo que mais gostávamos.

Todos esses acontecimentos são exteriores, pois quando fazemos o bem pelo bem, jamais sentiremos a ingratidão. É por esta razão que João, citando Jesus, nos convida a seguir o Mestre. E por quê é providencial esta advertência? Porque somente Jesus é capaz de consolar as nossas  chagas interiores. Podemos perder tempo com diversões, com reclamações, com maledicências. Mas, se quisermos aquietar o nosso coração, temos que direcionar a nossa atenção para Jesus e seus ensinamentos.

Pensando melhor: será que quando estávamos num posto chave, dentro de uma organização, não dávamos a nós mesmos um valor muito  maior do que merecíamos? Será que não tínhamos um apego demasiado ao nosso posto de comando? Será que só nós tínhamos razão, impedindo os outros de expressarem suas opiniões? Será que não estamos recebendo de volta o que provocamos no próximo?

Uma coisa é certa: nada que se nos acontece, acontece por acaso. É possível que o nosso tempo de comando tenha chegado ao fim. Quem sabe a divindade não está nos preparando experiências mais úteis, mais essenciais ao nosso progresso material e espiritual? Por que, então, reclamar dos nossos companheiros que nos relegaram, que nos deixaram ao léu? Observe os sofrimentos de Paulo e de tantos outros que resolveram seguir as pegadas de Jesus.

"Que te importa a ti? Segue-me tu". Eis um dístico que deveríamos pôr em prática em nosso dia a dia. 
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09 julho 2012

Anencefalia


Encéfalo. Do grego enkephalos, que está dentro da cabeça. O conteúdo da caixa craniana, isto é, cérebro, cerebelo, pedúnculo, protuberância e bulbo. Anencefalia. Monstruosidade caracterizada pela ausência total do encéfalo. É quase sempre acompanhada de acrania. AnencefalianoMed. Monstro privado de encéfalo. Os anencefalianos compreendem dois grupos: os anencéfalos aos quais falta o cérebro e a espinhal medula, e os direncéfalos, aos quais falta apenas o cérebro. Entre estas duas formas há outras de transição: os pseudencéfalos e os exencéfalos.

Na segunda quinzena de abril de 2012, o Supremo Tribunal Federal legalizou o aborto do feto anencéfalo. Embora tenha sido aprovado por 8 votos a favor e dois contra, houve um viés, pois o Supremo Tribunal Federal legislou, matéria esta que deveria ser deixada a cargo do Poder Legislativo. Uma vez aprovado, devemos obedecer e respeitar a lei.

Como o aborto do anencéfalo pode ser visto segundo a Doutrina Espírita? Para o Espiritismo, o acaso não existe. Todo nascimento é uma prova para os pais e para os filhos. Prova essa que ajuda no crescimento espiritual de ambos. Interromper a gravidez porque a lei permite será um inconveniente para o progresso desse ser junto a uma família, mesmo que seja por minutos, horas ou dias.

Para mais informações, assista aos vídeos do programa do Centro Espírita Ismael, denominado "Minutos com a Doutrina": 

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07 julho 2012

Paixão


Paixão – Do grego pathos, sofrer, suportar. Significa o estado "passivo" do ser humano, contraposto aos fenômenos da atividade. Uma das dez categorias de Aristóteles, designa o fato de sofrer a ação de um agente exterior. As paixões podem ser: a) superiores ou racionais  (busca do saber, do verdadeiro); b) inferiores ou sensíveis (comida, bebida, sexo).

paixão é um fenômeno psicológico complexo, onde a sua caracterização é feita por comparação com a inclinação e o sentimento. A inclinação é primitiva e inata, permanente, mais ou menos vaga e geral; o sentimento é também natural. A paixão é um sentimento, mas que se tornou tirânico, egoísta e centrado num único objeto de desejo, deixando o seu possuidor indiferente a tudo que o rodeia.  

A base da paixão é biológica, mas não  podemos reduzi-la a uma mecânica fisiológica, pois entram em cena os aspectos psicológicos (temperamento, vontade e imaginação, incluindo a exploração do inconsciente) e sociais (educação recebida, os exemplos, os costumes e o meio frequentado), que ajudam a desenvolver as predisposições hereditárias. As paixões afetam o homem como um todo (orgânico e psicológico). É no psiquismo, contudo, que a influência é mais larga, pois transforma o apaixonado numa espécie de "possesso", a ponto de dizer: "Viver uma paixão é demais", "É coisa de louco". 

Em se tratando de uma comparação entre emoção e paixão, podemos dizer que a emoção é um estado da mesma natureza que o sentimento, porém de maior complexidade, pois é excitada por um complexo ideológico. A paixão, por seu lado, é a reação às emoções, produzidas por causas externas e internas. Inicialmente passiva, torna-se ativa quando espontaneamente a eles adere e passa a cooperar com eles.

Por falar em paixão, lembremo-nos da Paixão de Cristo. É a narração desde a agonia de Jesus no Getsêmani até à sepultura. É o evento central da história da Salvação e a consumação dos atos salvíficos de Deus. Em linhas gerais, é a conspiração dos sacerdotes, a traição de Judas, a ceia, o processo diante dos sacerdotes e de Pilatos, a crucificação, a sepultura etc. Em seu relato, o apóstolo Marcos quis salientar a eficácia da morte de Jesus, no sentido de libertar o homem do pecado.

De acordo com a Doutrina Espírita, a paixão, sendo natural, não é má em si mesma. “A paixão está no excesso provocado pela vontade, pois o princípio foi dado ao homem para o bem e as paixões podem conduzi-lo a grandes coisas. O abuso a que ele se entrega é que causa o mal”. Uma paixão se torna perniciosa justamente no momento em ela deixa de ser governada e passa a nos governar. A paixão está no exagero da emoção ou do sentimento. Ela se apresenta como efeito e não como causa. 

O ser humano poderia, pelos seus próprios esforços, vencer as paixões. Falta-lhe, contudo, a vontade. Para vencer a “cristalização progressiva” e o “desencadeamento fulminante”, nada melhor do que a prática da abnegação.

Fonte de Consulta

KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. 8. ed. São Paulo: Feesp, 1995 (perguntas 907 a 912).

ENCICLOPÉDIA LUSO-BRASILEIRA DE CULTURA. Lisboa: Verbo, [s. d. p.]
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01 julho 2012

Coração


Coração. Órgão muscular oco, situado no tórax, e que constitui o elemento motor central da circulação do sangue. Desde tempos remotos, o coração é apresentado como a sede da alma, do sentimento, da coragem, da consciência e da razão. Já no antigo mito mesopotâmico, “o medo da morte se aloja no coração”, e leva Gilgamesh a procurar pela erva da imortalidade. No embalsamento egípcio, todos os órgãos internos eram retirados, menos o coração, que permanecia em seu lugar.

Na antiguidade, o coração era o símbolo da vida mental, da vida afetiva, da vida interior e da personalidade integral do homem. A partir do século VI a.C., na Grécia, em que a filosofia deixou de ser mítica para se tornar racional, também começou a distinguir os campos de ação do intelecto e do sentimento. O coração vai condividir com o cérebro o privilégio de ser o centro principal do ser humano.

Durante a Idade Média, o coração, sem deixar de ser símbolo da coragem, passa a ser, sobretudo, símbolo do Amor. É troca e compenetração dos corações – do amor-sensualidade ao amor-sensibilidade e deste em amor-idealidade. Mas, “para os poetas provençais, o coração é o lugar onde o amor se concentra. É nele que penetra a flecha – o raio luminoso – e é nele que ela se fixa: os sentidos são apenas as portas do coração. Por isso, o amor recíproco só pode existir quando a mesma flecha atravessou os dois corações”.

Se tomarmos verticalmente o ser humano, veremos que há três pontos principais: o cérebro, o coração e o sexo. Mas o central é o coração e, por esta condição, concentra os outros dois. Ele adquire o sentido de eternidade (todo centro é símbolo de eternidade, dado que o tempo é movimento externo da roda das coisas e, no meio, encontra-se o “motor imóvel” segundo Aristóteles).

Na filosofia, na religião e no Espiritismo, há muitas frases sobre o coração. Vejamos algumas extraídas da Doutrina Espírita: A amizade verdadeira não é cega, mas se enxerga defeito nos corações amigos, sabe amá-los e entendê-los mesmo assim. A arte de ouvir é, também, a ciência de ajudar” (Joanna de Ângelis); “A paz legítima emerge do coração feliz e da mente que compreende, age e confia” (Joanna de Ângelis); “Aqueles que amparamos constituem nosso sustentáculo. O coração que socorremos converter-se-á agora ou mais tarde em recurso a nosso favor. Ajudando seremos ajudados. Dando, receberemos: esta é a lei Divina” (do livro: Jesus no Lar).

Todo excesso é prejudicial. Procuremos equilibrar cérebro e coração. Agindo assim, vamos edificando o reino de Deus dentro dos nossos corações e, com isso, acumulando provisões para auxiliar os corações alheios.  

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