30 julho 2010

Aborto, O

O aborto - eliminação de um ser humano no período de vida compreendido entre a fecundação e o nascimento -, é um tema controverso. Ele está relacionado com diversos problemas, desde o direito de a mulher em dispor de seu corpo como bem entender até os imperativos da lei de Deus, que prescreve punições sobre o direito à vida de um ser sem defesa.

A problemática filosófica do aborto fundamenta-se no estatuto antropológico do embrião. A dúvida: quando é que o feto se torna pessoa e não simplesmente “pessoa futura” ou “pessoa potencial”? Em séculos passados, admitia-se a tese da “animação mediata”, segundo a qual o embrião era gradativamente informado pela alma vegetal, animal e, finalmente, racional. Foi abandonada no século passado pela tese da “animação imediata”, ou seja, pela simultaneidade entre a fecundação e a pessoa humana.

O estatuto antropológico do embrião levanta, também, um problema moral, ou seja, desde o momento em que o concebido é pessoa, qualquer aborto tem responsabilidade moral, pois há um homicídio dificultado pela impossibilidade de defesa e pela inocência do agredido. Sendo uma pessoa, desde o instante da fecundação, não é lícito pôr termo à vida do embrião. O correto seria tratá-lo como se já fosse uma pessoa.

Há vários tipos de aborto. Ele pode ser natural ou artificial, espontâneo e involuntário (pode, mesmo assim, haver culpa) ou provocado voluntariamente. Há o aborto ilegal, que é considerado crime e, como tal, penalizado pela lei civil. Podemos falar, também, do aborto clandestino.

As causas do aborto são muitas e variadas, sendo difícil avaliar a importância de cada uma delas. Além daquelas referentes à própria mulher (medo à gravidez e ao parto e os poucos recursos financeiros para sustentar o novo rebento), há as de origem familiar (pressão dos familiares, principalmente do marido) e as de ordem social (campanhas contra a fecundidade e famílias numerosas).

A condenação do aborto fundamenta-se numa apreciação moral, principalmente aquela trazida pela religião em que se acredita num Deus criador. Depreende-se que há um direito inalienável à vida. Nesse sentido, só Deus é senhor da vida. Assim, o ser humano não tem o direito de tirar a vida do seu próximo.

Pergunta: o aborto provocado é um crime? A Igreja, por exemplo, aceita a pena de morte e a guerra justa e condena o aborto. Quais são as suas razões? É que na guerra ou na pena de morte há um agressor; no caso do aborto, o novo ser não é um agressor e muito menos agressor injusto. Em realidade, é vítima inocente quando eliminado antes do tempo.

Na pergunta 358 de O Livro dos Espíritos, os Espíritos respondem: “Há crime sempre que transgredis a lei de Deus. Uma mãe, ou quem quer que seja, cometerá crime sempre que tirar a vida a uma criança antes do seu nascimento, por isso que impede uma alma de passar pelas provas a que serviria de instrumento o corpo que se estava formando.”

O aborto refere-se à paralisação da vida. No aborto, o feto não tem escolha: a vida lhe é tirada. Há uma infração à lei de Deus. Fala-se em crime. As conseqüências podem vir em futuras encarnações: quantos casais querem ter filhos e a mulher não consegue engravidar? Fala-se, também, em graves desajustes perispirituais, a refletirem-se no corpo físico, na existência atual e na futura, na forma de câncer, esterilidade e infecções renitentes.

O nosso corpo é um empréstimo concedido por Deus. Além de cuidarmos de sua higiene, física e espiritual, respeitemos, também, a vida que está dentro dele.

Fonte de Consulta

KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. 8. ed. São Paulo: Feesp, 1995.
LOGOS – ENCICLOPÉDIA LUSO-BRASILEIRA DE FILOSOFIA. Rio de Janeiro: Verbo, 1990.
POLIS - ENCICLOPÉDIA VERBO DA SOCIEDADE E DO ESTADO. São Paulo: Verbo, 1986.




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COMPLEMENTO


Aborto provocado - Consequência para o Abortado - Dr. Ricardo di Bernardi

A especificidade de cada caso determina situações absolutamente individuais no que se refere a repercussões sofridas pelo espírito eliminado de seu corpo em vias de estruturação. 
Se existe na ciência do espírito uma regra fundamental que rege a lei de causa e efeito, poderíamos enunciá-la assim: a reação da natureza sempre se fará proporcional à intencionalidade da ação. Isto é, jamais poderemos afirmar que um determinado ato levará inexoravelmente a uma exata consequência.
Quando a responsabilidade maior da decisão couber aos encarnados, pai e ou mãe, eximindo o espírito de participação voluntária no aborto, teremos um tipo de situação a ser analisada.
O espírito, quando de nível evolutivo mais expressivo, tem reações mais moderadas e tolerantes. Muitas vezes seria ele alguém destinado a aproximar o casal, restabelecer a união ou mesmo, no futuro, servir de amparo social ou afetivo aos membros da família.
Lamentará a perda de oportunidade de auxílio para aqueles que ama. Não se deixará envolver pelo ódio ou ressentimento, mesmo que o ato do aborto o tenha feito sofrer física e psiquicamente. Em muitos casos manterá, mesmo desencarnado, tanto quanto possível, o seu trabalho de indução mental positiva sobre a mãe ou os cônjuges.
Nas situações em que o espírito se encontrava, em degraus mais baixos da escada evolutiva, as reações se farão de forma mais descontrolada e sobretudo mais agressiva. Espíritos destinados ao reencontro com aqueles a quem no passado foram ligados por liames desarmônicos, ao se sentirem rejeitados devolvem na idêntica moeda o amargo fel do ressentimento.
Ao invés de se sentirem recebidos com amor, sofrem o choque emocional da indiferença ou a dor da repulsa. Ainda infantis na cronologia do desenvolvimento espiritual, passam a revidar com a perseguição aos cônjuges ou a outros envolvidos na consecução do ato abortivo.
Em determinadas circunstâncias, permanecem ligados ao chakra genésico materno, induzindo consciente ou inconscientemente a profundos distúrbios ginecológicos naquela que fora destinada a ser sua mãe.
Outros, pela vampirização energética, tornam-se verdadeiros endoparasitas do organismo perispirutal, aderindo ao chakra esplênico, sugando o fluido vital materno.
As emanações maternas e paternas de remorso, de culpa, ou outras que determinam o estado psicológico depressivo, abrem caminho em nível do chacra coronário dos pais para a imantação magnética da obsessão de natureza intelectual.
A terapêutica espiritual, além da médica, reconduzirá todos os envolvidos ao equilíbrio, embora frequentemente venha a ser longa e trabalhosa.
Há também espíritos que, pela recusa sistematicamente determinada em reencarnar para fugir de determinadas situações, romperam os liames que os unia ao embrião. Esses terão seus débitos cármicos agravados e muitas vezes encontrarão posteriores dificuldades de reencarnar, sendo atraídos a gestações inviáveis e a pais necessitados de vivenciar a valorização da vida.
No entanto, o grande remédio do tempo sempre proporcionará o amadurecimento e a revisão de posturas que serão, gradativamente, mais harmoniosas e sobretudo mais construtivas.
Todos terão oportunidade de amar.
Dr. Ricardo Di Bernardi é médico pediatra - homeopata, palestrante espírita internacional e autor de vários livros. é presidente do ICEF - Instituto de Cultura Espírita de Florianópolis - http://www.icefaovivo.com.br/


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25 julho 2010

Cosmovisão e Espiritismo

Cosmo – do grego kosmos significa ordem, oposto ao Caos (kaos), desordem. Cosmovisão (Visão Geral de Mundo). Além de significar uma visão ou concepção de mundo, expressa também uma atitude frente ao mesmo. O Materialismo, o Espiritualismo e o Idealismo são cosmovisões. O que caracteriza essas diversas cosmovisões? Primeiro, um anelo de saber integral; segundo, a apreensão da totalidade; terceiro, a solução de problemas do sentido do mundo e da vida.

A marcha da degradação histórico-filosófica ocidental foi esta: Fé, Razão, Matéria. A marcha normal dessa evolução deveria ter sido: , Raciocínio (nada de endeusamento da razão, nada de racionalismo), Consciência. Da Fé ainda primitiva atingiríamos um estado empírico normal de reflexão madura, o qual teria conduzido à noção sistemática do Todo, à Consciência da Totalidade, à Verdade Cósmica.

O lugar hoje ocupado pela Matéria deveria estar Deus, ou seja, a Causa. Mas, com a inversão de tudo, está a antítese, isto é, o Efeito (a Matéria). Nesse caso, ao invés da Consciência, temos a Violência, pois a humanidade está filosoficamente invertida. Raciocinou às avessas. Em vez de atingir a Causa, atingiu o Efeito; em vez de chegar à Verdade, chegou à Ilusão. Esta é a situação do mundo na atualidade. Urge reinverter a ordem. Os postulados espíritas auxiliar-nos-ão eficazmente.

Para a concepção de mundo idealista, o Espírito é o motor do Universo; para a concepção de mundo materialista, o motor do Universo é a matéria. Cada qual defendendo o seu ponto de vista, torna difícil e quase impossível a compreensão do Todo. O Espiritismo veio no momento certo: reorganizar o edifício da FÉ, abalado pelo culto da RAZÃO e da MATERIALIDADE. Procedendo à síntese das várias concepções de mundo, encaminha o nosso pensamento para a Unidade do Todo. Por isso, dizemos que o Espiritismo é Ciência, Filosofia e Religião, ou seja, temos material suficiente para sintetizar Deus, Espírito e Matéria, sem pender para nenhum dos lados, mas analisando-os como uma trilogia inseparável.

O Espiritismo é, ao mesmo tempo, Filosofia, Ciência e Religião. Ele é a unidade sintética de todo o conhecimento. A conscientização desse fato faz-nos observar melhor o mundo que nos rodeia. Observando melhor, teremos a nossa visão acurada. Com nossa visão acurada, teremos mais condições de compreender o nosso próximo. Compreendendo melhor o nosso próximo, poderemos amá-lo, respeitá-lo e fazer-lhe tudo o que gostaríamos fosse feito a nós mesmos.

Fonte de Consulta

KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39. ed., São Paulo, IDE, 1984.
KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. São Paulo, FEESP, 1972.
SANTOS, M. F. dos. Filosofia e Cosmovisão (Introdução à Filosofia e Visão Geral de Mundo). 2. ed., São Paulo, Logos, 1955.
TORRES, J. Totalidade e Sociologia (Introdução. Exposição Geral e Sumária de Cosmonomia. Cosmovisão Geral). Rio de Janeiro, s. e., 1953-1956.



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Cartesianismo e Espiritismo

René Descartes (1596-1650) nasceu em La Haye, França, pertencendo a uma família de prósperos burgueses. Estudou no colégio jesuíta de La Fléche, na época um dos mais conceituados estabelecimentos de ensino europeu. Foi soldado, esteve sob as ordens de Maurício de Nassau. Participou de várias campanhas militares. As obras de Descartes são de considerável extensão. As mais importantes são: Regras para a Direção do Espírito (1628), O Discurso do Método (1637) e Meditações Filosóficas (1641).

A dez de novembro de 1616, o jovem Descartes teve um sonho premonitório. Sonhou que o Espírito da Verdade o visitara e, reverente, tal como é natural à Entidade de sua estirpe, comunicou-lhe que lhe competia a missão de edificar uma “Ciência Admirável”, cujas coordenadas lhe trouxe em outra visita onírica. Houve, ainda, uma terceira, concluindo o esclarecimento devido. Ao acordar, preocupado com a responsabilidade de tão grande missão, pediu a Deus que o amparasse a fim de que pudesse fielmente cumprir a grande tarefa, tão acima de suas parcas forças.

As quatro celebres regras: 1) Só admitir como verdadeiro o que parece evidente, evitar a precipitação assim como a prevenção; 2) Dividir o problema em tantas partes quantas as possíveis (é o que se chama regra de análise); 3) Recompor a totalidade subindo como que por degraus (regra da síntese); 4) Rever o todo para se Ter a certeza de que não se esqueceu de nada e que, portanto, não há erro.

Problemas levantados por Descartes, à luz do Espiritismo:

1 - PROVA DA EXISTENCIA DE DEUS: os Espíritos informam a Allan Kardec que Deus é inteligência suprema causa primária de todas as coisas. Para o Espiritismo, não há efeito sem causa. Tudo enquadra-se na lei natural. Ao “Penso, logo existo” de Descartes, J. H. Pires escreve “sinto Deus em mim, logo existo”. Quer dizer, Deus não é percebido pelo pensamento, mas pelo sentimento.

2 - RES COGITANS E RES EXTENSA: para Descartes, o Universo é constituído de dois elementos fundamentais: res cogitans e res extensa. Essas duas substâncias cartesianas, em termos espíritas, são a inteligência e a matéria que, juntamente com Deus, formam a trindade universal.

3 - UNIÃO DA ALMA E DO CORPO: partindo-se de que alma e corpo são distintos Allan Kardec, com o auxílio dos Espíritos, informa-nos que o perispírito — matéria quintessenciada — é o elemento de ligação entre a alma e o corpo físico.

O método cartesiano pode ser vislumbrado nas entrelinhas da Doutrina Espírita. Allan Kardec, em várias passagens da Codificação, fala-nos que devemos colocar tudo sobre o crivo da razão; que é preferível rejeitar nove verdades a aceitar uma única verdade como falsidade; que a fé inabalável somente é aquela que consegue enfrentar a razão face a face em todas as épocas da humanidade.

Esse estudo do Cartesianismo serve não só para nos chamar a atenção sobre o tema, como também o de sugerir o desenvolvimento e aprofundamento do mesmo. Se assim o fizermos, vamos encontrando o verdadeiro encadeamento das idéias e uma explicação racional da síntese filosófica elaborada por Allan Kardec.

Fonte de Consulta

Enciclopédias
PIRES, J. H. O Espírito e o Tempo: Introdução Antropológica ao Espiritismo3. ed., São Paulo, EDICEL, 1979.


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