20 maio 2010

Parábola do Festim das Bodas

A Parábola do Festim das Bodas, também conhecida como parábola da grande ceia, do grande banquete é relatada por Lucas, 14, 15-24 e por Mateus, 22, 1-14. Ela representa o chamamento divino aos seus filhos. Primeiramente, os israelitas, os mais conhecedores da Lei. Na recusa destes, os convites foram enviados aos coxos, aos cegos e aos pagãos. Evoca, também, a separação dos bons dos maus e os "muitos são os chamados e poucos os escolhidos".

As parábolas contadas por Jesus têm uma finalidade precípua: transformar as coisas do cotidiano em ensinamentos da vida eterna. A expectativa da obtenção do reino de Deus é uma das principais atividades da pregação messiânica de Jesus. O convite é feito a todos, indiscriminadamente. Para entrar no reino de Deus, contudo, o convidado tem que apresentar uma única qualidade: estar com a veste nupcial que, em termos práticos, significa possuir a pureza e ternura do coração.

Os israelitas são os primeiros a serem chamados. Jesus, como a segunda revelação divina, deveria dar um outro verniz à adoração ao Pai. Sua missão era a de transformar a lei do “dente por dente e olho por olho” na lei de amor, chegando, inclusive, ao amor aos inimigos. Não foi compreendido, principalmente pelos sacerdotes da época, que preferiram o culto externo. Os israelitas, ao recusarem Jesus, excluem-se do reino Deus. Em seu lugar, Jesus mandou buscar os “pecadores”, os coxos e os pagãos.

Nesta parábola, fala-se da separação dos bons e dos maus e dos “muitos os chamados e poucos os escolhidos”. Os “muitos”, na linguagem hebraica significa multidão. O chamamento era dirigido à multidão, sem distinção de raça, cor, sexo e fé religiosa. Os “poucos” denotam mais qualidade do que quantidade. São aqueles poucos que, ouvindo a palavra divina, correm para colocá-la em prática. Estes, segundo o cristianismo, vão para o céu; os que a negam, para o fogo do inferno. Eis a separação dos bons dos maus.

A "veste nupcial" é uma figura de linguagem. A Bíblia compara o banquete a uma participação no reino de Deus. Há muitas citações sobre a “festa de casamento”, tanto no Velho quanto no Novo Testamento. O convite à grande ceia, ao banquete, à veste nupcial nada mais é do que pedir para que as pessoas aceitem o Evangelho. A veste nupcial é a imagem da pureza de coração, de sentimento, de pensamento e de ações.

Tenhamos em mente que a evolução do ser humano é sem limite. Saibamos aproveitar o tempo. Passemos por cima dos obstáculos, das admoestações, dos desprezos e dos preconceitos.


Baixe o áudio deste texto
ver mais

05 maio 2010

Vícios e Espiritismo

Vício é o defeituoso, o que não atende à potência pela qual algo foi criado, o que se desvia do bom caminho. Convencionou-se distinguir os vícios sociais (tabagismo, toxicomania, alcoolismo...) dos vícios morais, que dizem respeito ao orgulho, vaidade, egoísmo. Em todo o caso, a origem do vício está no pensamento, que dá as diretrizes da ação.

Desde a antiguidade, o vício é motivo de discussão. Job, no Velho Testamento, diz que se torna necessário dirigir o coração para Deus e afastar da vida a iniquidade e a injustiça, a fim de fugir aos vícios, tais como, a mentira, a fraude e o adultério. Cristo, no Novo Testamento, diz que os vícios têm a sua raiz no coração: os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios. A partir de 1930, travou-se uma luta entre a medicina e a psicologia, no sentido de se definir o vício como doença. A medicina contrapõe-se à tese de que o vício é um estado condicionado, que pode ser descondicionado pelas técnicas psicológicas. Presentemente, debatemo-nos com os vícios ilícitos, aqueles que promovem o narcotráfico.

Em termos filosóficos, Platão – na sua teoria das formas –, falava-nos que o vício é uma ilusão. Para ele, o verdadeiro bem (virtude) está no mundo das ideias; o mal (vício), no mundo das sombras. Desta forma, o mal (vício) não tem consistência própria. Ele é simplesmente a ausência da virtude. Aristóteles desenvolveu a teoria da mediedade, em que a virtude é a média justa. O vício é tudo o que está além da média justa, tanto pelo excesso quanto pela falta. Spinoza diz que o vício é submissão às causas externas, entre elas a paixão.

Dentre os vícios sociais, o tabagismo é o mais letal, pois causa as doenças do pulmão, principalmente o enfisema pulmonar. O crack, a heroína e a morfina são também maléficos. A diferença é que o fumo é uma droga livre e estas ilícitas, estimulando o narcotráfico. A grande dificuldade dos que usam a droga é a dependência. Há casos em que o comportamento do indivíduo se resume no consumo e na busca dessas drogas.

A Doutrina Espírita oferece-nos subsídios valiosos para refrearmos os nossos vícios. Primeiramente, diz-nos que, na atualidade, a nossa virtude é o desenvolvimento intelectual; nosso vício é a indiferença moral. Aponta o egoísmo como o mais radical dos vícios, pois dele deriva todo o mal. Na pergunta 913 de O Livro dos Espíritos, destaquemos a frase: “Quem nesta vida quiser se aproximar da perfeição moral deve extirpar do seu coração todo sentimento de egoísmo, porque é incompatível com a justiça, o amor e a caridade: ele neutraliza todas as outras qualidades”.

A Psicologia informa-nos sobre a facilidade de adquirir o vício e a dificuldade de largá-lo. Basta darmos o primeiro passo, que outros passos o seguirão. Se nos faltarem orientações morais e religiosas, podemos sucumbir aos diversos vícios que corroem a humanidade e impõem à sociedade pesados custos, quer seja de ordem médica, quer seja de ordem jurídica, em que o Estado, que usa o nosso dinheiro, é obrigado a gastar mais recursos com a construção de novos hospitais e prisões.

Em se tratando dos vícios, combatamos a causa pela causa e não pelos efeitos. Somente quando tomamos consciência do móvel que produz a ação é que podemos ter segurança na eliminação do efeito. Na realidade, não somos nós que deixamos os vícios; são eles que, desprovidos da nossa atração, deixam-nos.

Palestra em PDF
Baixe o áudio deste texto
Texto em PowerPoint:



Complemento

De acordo com a Pesquisa Especial de Tabagismo realizada pelo IBGE e pelo Ministério da Saúde, entre 1989 e 2008 o percentual da população brasileira fumante com 15 anos ou mais caiu de 32% para 17,2%. O estudo revela ainda que 52,1% dos fumantes planejavam deixar o vício. Estima-se que o cigarro e outros derivados do tabaco sejam responsáveis por cerca de 200 mil óbitos por ano no Brasil.

Embora a definição da dependência pesada seja a do consumo diário de 20 cigarros ou mais, a verdade é que o fumo ocasional é igualmente prejudicial à saúde. O fumo e seus derivados possuem em média 4.700 substâncias tóxicas, das quais mais de 40 comprovadamente cancerígenas.

As chances de deixar de fumar e não apresentar recaída aumentam quando se tem um acompanhamento médico e psicológico. O tratamento da dependência envolve a adoção de uma ou mais das três principais alternativas disponíveis: aconselhamento terapêutico individual ou em grupos, terapia de reposição de nicotina e terapia com medicamentos. (Extraído de Página Einstein em 10/05/2010.)

Eliminando-se as drogas, elimina-se o problema?

De acordo com Jandira Masur, em O Que é Toxicomania, Coleção Primeiros Passos, 91, tenta-se resolver o problema pelo tripé: agente, hospedeiro e ambiente. No caso da tuberculose, o agente é o bacilo de Koch, o hospedeiro é o homem. Dependendo do ambiente, a tuberculose pode ou não manifestar-se. Eliminando-se o agente (bacilo de Koch), resolve-se o problema. Teoricamente deveria funcionar também no caso das drogas. Acontece que as drogas não são vírus nem bactérias. Assim, o homem é ao mesmo tempo o hospedeiro e o agente.


ver mais