25 novembro 2009

A Deus Tudo é Possível

“A Deus tudo é possível”. O que se depreende desta frase? Que o ser humano não está suficientemente apto para perceber integralmente os desígnios do Criador. Há muitas coisas que ainda nos escapam do conhecimento. A distância entre a sabedoria humana e a divina é incomensurável. Teçamos alguns comentários acerca deste assunto.

Queremos que os nossos desejos sejam prontamente atendidos, principalmente aqueles relacionados ao dinheiro e ao poder, na suposição de que nos darão segurança e conforto. Tendo em vista a gama de possibilidades de nossa evolução espiritual, será que o dinheiro e o poder estão nos desígnios de Deus para com nossa pessoa? Desejamos algo, mas Deus que vê melhor do que nós e sabe o que é bom para nosso progresso espiritual, pode negar a concretização de tal pedido.

Como, porém, sabermos quais são os desígnios de Deus a nosso respeito? Inquirindo a nossa própria consciência. Nesse mister, não adianta muito nos compararmos aos outros. Embora o ser humano esteja comprometido com o progresso, cada um de nós é único, tendo, com isso, necessidades diferentes. A Bíblia ensina-nos que "a uns foi dado o dom da profecia, a outros o dom de cura e a outros o dom de falar línguas estrangeiras". Quanto a nós, tenhamos presente os deveres que a nossa consciência nos impõe.

“A Deus tudo é possível” tem íntima relação com a fé e a esperança. É necessário, nos momentos críticos de nossa existência terrena, reportamo-nos à fé e à esperança, pois sem elas poderíamos soçobrar. Suponha uma situação de inteira decepção frente às ocorrências menos felizes de nossa existência. Como sair dessa situação se não tivermos fé no Criador, em Jesus e nos bons Espíritos que nos acompanham?

Lembremo-nos da "Parábola dos Trabalhadores da Última Hora". Uma pessoa estava ansiosa por um trabalho. Ficou à espera: passou uma hora, depois outra, até que na 11ª hora foi chamado. Quando foi aceito na última hora, recebeu o mesmo salário dos que tinham trabalhado as 12 horas. Isso mostra que Deus leva mais em conta, não o trabalho em si, mas a propensão ao trabalho.

No relacionamento com o Criador, podemos nos rebelar contra a Sua Vontade, mas nada nos acontecerá sem a Sua Benevolência. Por isso, é bom desconfiarmos daqueles que se intitulam deuses. “Não é por crescer em poder que o falso se torna verdadeiro”. Somos uma alma no meio de bilhões de almas. A nossa parcela de influência é de pouca monta, pois há muitos outros seres humanos fazendo o bem melhor do que nós mesmos.

Façamos a nossa parte. Deixemos tudo o mais por conta de Deus. Ele sabe o que é melhor para todos nós.
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13 novembro 2009

Percepção Mediúnica

Na Parapsicologia, Rhine criou o termo Percepção Extra-Sensorial (P.E.S.) para designar a percepção de um objeto independentemente dos órgãos do sentido (tato, olfato, paladar, visão e audição). A sua teoria é baseada na função Psi: psigama refere-se aos fenômenos de efeitos inteligentes; psikapa, aos fenômenos de efeitos físicos. Para comprová-los, usa o método estatístico combinado com o cálculo de probabilidade.

A percepção mediúnica difere da Percepção Extra-Sensorial, pois é a visão, audição e comunicação com um mundo que não é percebido pelas vias sensoriais do encarnado. Em se tratando da função psigama, da P.E.S., há a comprovação da telepatia, clarividência, pós e retro-cognição, todos fenômenos anímicos. A percepção mediúnica, por seu turno, refere-se à comunicação com Espíritos desencarnados. Nesse caso, convém nos lembramos da definição de mediunidade: faculdade humana, natural na qual se estabelecem as relações entre os Espíritos desencarnados e os homens, em que os últimos são denominados médiuns, intermediários da mensagem.

Para melhor compreendermos a ideia de percepção mediúnica, recordemo-nos de que o espectro eletromagnético, em comprimentos de ondas em metros, varia de 10-14 a 108, sendo que os nossos olhos captam apenas 1/70 desse universo. Os nossos ouvidos, por outro lado, captam o som entre 20 e 20.000 vibrações por segundo. Estes simples dados mostram que há som, luz, energia, vibrações e radiações além de nossa capacidade de percepção. O mesmo se dá no campo mediúnico.

A percepção mediúnica é a captação de conhecimentos que estão além dos nossos sentidos físicos. Por isso, cegos e surdos do mundo físico são capazes de ver e ouvir muito além, porque veem com os olhos do Espírito. A limitação mediúnica, se assim quisermos colocar, depende de nossos próprios recursos, quais sejam intelectuais e morais. É por isso que os Espíritos, tais como Emmanuel, André Luiz, Bezerra de Menezes e outros, estão sempre nos incentivando ao estudo e à mudança comportamental.

As mensagens espíritas, principalmente aquelas encontradas nos livros Fonte Viva, Vinha de Luz, Caminho, Verdade e Vida, Pão Nosso, de autoria do Espírito Emmanuel, pela pena do médium Francisco Cândido Xavier, são um alimento valioso para esse progresso moral. O Espírito Emmanuel retrata o cristianismo para os dias atuais. Certa feita teceu comentários sobre a solidão. Ele diz: “À medida que te elevas, monte acima, no desempenho do próprio dever, experimentas a solidão dos cimos e incomensurável tristeza te constringe a alma sensível... Em torno de ti, a claridade, mas também o silêncio... Dentro de ti, a felicidade de saber, mas igualmente a dor de não seres compreendido...”

Há, porém, percepção e percepções. Podemos nos sintonizar com os Espíritos de luz ou os Espíritos das trevas. Há ainda os falsos profetas, ou seja, aqueles Espíritos que se apresentam como se fossem de luz, mas estão inseridos numa grande treva. A mensagem de Jesus só não faz sentido para aqueles que não lhe captam o sentido. É como dois estrangeiros tentando se comunicar. A comunicação passa despercebida ou é mal interpretada.

Tenhamos em mente a perfeita conexão com os Espíritos de luz e as trevas não nos visitarão, porque estaremos sob o amparo beneplácito das correntes amorosas do bem.
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06 novembro 2009

Crimes Cometidos em Nome da Virtude

“Os maiores crimes da história foram cometidos pelo poder oficial”.

O código de ética, para a maioria das pessoas, exalta a virtude e condena o mal. Acontece, porém, que muitos crimes são praticados em função do que se supõe ser virtude. Observe os fatos históricos: o infanticídio fez parte da ética espartana; o genocídio, da ética fascista. Os Jesuítas praticavam a tortura. A Inquisição prendia, condenava e matava impiedosamente os hereges e as bruxas.

O sadismo subjacente e sua racionalização é uma realidade. Veja o sacrifício aos deuses, a perseguição à minoria, os divertimentos dos gladiadores romanos, a matança dos judeus nas cruzadas, as tiranias megalíticas, tais como a de Napoleão. Além do sadismo, há o masoquismo, que é sacrificar a vida pela glória de causas obscuras, sofrer tormentos deliberados como demonstração religiosa, para obter reconhecimento público.

No Inferno de Dante, as prostitutas e adúlteras eram condenadas a perpétua oscilação num vórtice tenebroso, hereges congelados caminhavam em desertos escaldantes, bandidos ferviam num rio de sangue. Presentemente, a compaixão está embotada pela competição, em que a compulsão para vencer substitui o instinto de cooperação. Nesse caso, a caridade é rebaixada.

A história da humanidade é muito mais uma história de guerras do que qualquer outro assunto. Foram poucos os períodos em que não tivemos lutas armadas entre países. A violência, tanto explícita quanto implícita, vem de longa data. O mito da criação na Bíblia, por exemplo, é um ato de violência: Deus expulsa Adão e Eva do Paraíso, simplesmente porque estes haviam cometido o "pecado".

Como, em meio a todos esses acontecimentos, vamos inserir a frase “quem me segue não anda em trevas”, dita pelo mestre Jesus? Eis o grande desafio para aqueles que querem seguir as pegadas de Jesus. Ele, também, nos disse: "Quem tem olhos de ver, veja; quem tem ouvidos, ouça". Vejamos, pois, com outros olhos e ouçamos com outros ouvidos, para não sermos conduzidos cegamente pelo senso comum vigente.

O Espiritismo, que nada mais é do que a revivescência do cristianismo, fornece-nos ensinamentos valiosos para expurgamos, não só a falsa moral como também a falsa virtude, arraigadas em nosso subconsciente. Em O Livro dos Espíritos e O Evangelho Segundo o Espiritismo encontraremos todos os subsídios necessários para tal empreendimento. Consultemos-los frequentemente.
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04 novembro 2009

Luz e Trevas em São João da Cruz

São João da Cruz (1542-1591), cognominado o “doutor místico”, consagrou-se à formação dos Carmelitas Descalços e à direção espiritual de religiosos seculares. Em 1577, os opositores ao seu propósito reformador prenderam-no, durante nove meses, no Convento de Toledo. No desterro e na solidão, pode compor os seus primeiros versos e vislumbrar a sua doutrina religiosa.

A sua teologia, onde Deus constitui o centro de toda a sua obra, resume-se numa fórmula bem simples: “união do homem com Deus”. Para ele, Deus Se revela em Cristo; ao mesmo tempo, enaltece a transcendência de Deus, supondo-O acima de todas as coisas terrenas. Acentua também a distinção entre o sentido e o espírito. O homem guia-se espontaneamente pelo sentido, mas por exigências naturais e cristãs deve ser espiritual e divino. Consequentemente, o ser humano deve participar de um processo de transformação radical, passando gradativamente do sentido ao espírito e do espírito a Deus.

São João da Cruz era reconhecido por suas “palavras duras”. No Evangelho de Jesus também as há. Lembremo-nos do “odiar pai e mãe”. Diz-se que ele costumava tratar os seus pares como se eles não estivessem ali. Esta atitude não era de desprezo pelos irmãos espirituais, mas como um método para alcançar a iluminação religiosa, pois muitas conversas e muitas amizades podem dificultar o processo de contemplação e meditação interior que tanto zelava.

A “noite” e as “trevas” tinham um significado especial para João da Cruz. Elas não eram consideradas antíteses da luz; faziam parte da mesma. Ele dizia: “penetra na noite e serás iluminado”. Em realidade, a “noite” é o “obscurecimento” de todos os nossos desejos naturais, nossa maneira natural de compreender as coisas. “Não somos iluminados por nossos próprios esforços, nosso próprio amor, nosso próprio sacrifício”. O que ele queria era apagar uma luz inferior para poder receber uma luz mais pura.

Ele procurava “obscurecer” mesmo as noções boas sobre Deus, caridade e oração, a fim de criar condições para o crente alçar um voo mais alto. As suas exigências tinham um objetivo mais profundo, ou seja, queria libertar-nos não apenas do cativeiro da paixão e do egoísmo, mas até da tirania mais sutil da ambição espiritual. Ele queria apagar a vela na luz do dia, pois tanto faz estar acesa ou apagada. O problema maior é não vermos a luz espiritual meridiana da presença de Deus em redor de nós.

Notamos, mais uma vez, que as ideias valem por si mesmas. Elas independem de religião, de filosofia. Importa mais o raciocínio lógico de uma alma aberta a qualquer tipo de conhecimento venha de onde vier.
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01 novembro 2009

Quem me Segue não Anda nas Trevas

“Falou-lhes, pois Jesus outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida”. (João, 8,12)

O capítulo 8, de o Evangelho segundo João, trata da mulher adúltera e da missão de Jesus. Os versículos de 1 a 11 destacam a absolvição de Jesus a respeito da mulher pega em flagrante adulterando, e que a lei do Velho Testamento mandava apedrejar. Depois que os escribas e fariseus se retiraram, um a um, começando pelos mais velhos, Jesus, a sós com a adúltera, diz: "Vá e não peques mais". A seguir, profere a frase acima: “... Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida”.

Há muitos textos nos Evangelhos que versam sobre a luz do mundo. Em João, 1, 4-9: “Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens; e a luz resplandece nas trevas e as trevas não a compreenderam”. Em João, 3,19: “A luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más”. Em João, 9,5: “Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo”.
 
Façamos uma análise do par de termos trevas-luz.
Quando Deus criou as trevas, elas não representavam um poder antidivino: simplesmente louvavam o Criador como a própria luz. No decorrer do tempo, passou a significar a pessoa que não está ligada a Deus. Este pensamento já é encontrado no Velho Testamento. No Novo Testamento, a fé cristã é uma passagem das trevas para a luz; imitar Jesus Cristo é andar na luz e não nas trevas.

As trevas têm relação com os pensamentos sombrios. Muitos deles causam o monoideísmo – ideia fixa –, que facilmente pode levar o ser humano à obsessão, à fascinação e à possessão. Nesse caso, os Espíritos inferiores se aproveitam de nossa fraqueza mental e passam a nos influenciar negativamente. Os trabalhos de desobsessão, em Centros Espíritas, retratam esta situação. Há pessoas que ficam completamente desfiguradas pela influência desses Espíritos.

Jesus Cristo, quando esteve encarnado entre nós, procurou disseminar a luz da Boa Nova. A humanidade, porém, preferiu as trevas: em 64, houve a perseguição do Imperador Nero aos cristãos; em 313, Constantino proclamou a liberdade do cristianismo e o fez religião oficial do Império Romano, desfigurando os ensinamentos de Cristo; no século XII foi criada a Inquisição, tribunal eclesiástico da Idade Média, com fogueiras, forcas e pelotões de fuzilamento.

Falar das trevas é fácil; da luz, um pouco mais difícil. É que a nossa visão de mundo ainda está chafurdada na superficialidade da vida. Para que possamos penetrar em outras esferas do pensamento, precisamos, muitas vezes, do beneplácito dos Espíritos de luz, que nos inspiram idéias renovadoras. Se hoje estamos nas trevas, nem sempre será assim. A vida nos oferece oportunidades mil para sairmos do nosso status quo e adquirirmos outros de maior valor moral e intelectual. Acontece que isso não é feito de maneira suave, sem solavancos. Há, muitas vezes, a necessidade da dor, da doença e do sofrimento.

Certa feita, disse o divino Mestre: “Quem me segue, siga-me”; em outra circunstância, afirmou: “Quem me segue não anda em trevas”. São estas as palavras de Cristo pelas quais somos advertidos que meditemos sobre sua vida e seus costumes se verdadeiramente queremos ser iluminados e livres de toda a cegueira de coração. Reconheçamos que não basta admirar o Cristo e divulgar-lhe os preceitos. É imprescindível acompanhá-lo para que estejamos na bênção da luz.

O Espírito Emmanuel, comentando esta passagem, fala-nos que quando Cristo designou os seus discípulos como sendo a luz do mundo, assinalou-lhes tremenda responsabilidade na Terra. É que a chama da candeia gasta o óleo do pavio. Nesse sentido, o Cristão sem espírito de sacrifício é lâmpada morta no santuário do Evangelho. Recomenda-nos, assim, não nos determos em conflitos ou perquirições sem proveito, visto que a luz não argumenta, mas sim esclarece e socorre, ajuda e ilumina.

Verifiquemos se nossa pretensa luz não seja senão trevas. Muitas vezes imaginamo-nos mais iluminados do que os outros e não passamos de simples velas diante da luz elétrica. Se estivermos constantemente pensando no mal, nas injustiças que foram cometidas contra nós, ficaremos presos às trevas. A prática do perdão, que é lançar luz sobre os acontecimentos, contudo, pode libertar o nosso pensamento para áreas mais úteis ao nosso desenvolvimento moral e espiritual.



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