24 junho 2009

Desertores


Desertor é aquele que abandona um partido, uma causa. Todas as grandes ideias têm apóstolos fervorosos; têm, também, os seus desertores. Allan Kardec diz que o Espiritismo não fugiu à regra. Em Obras Póstumas, tece alguns comentários sobre este tema, inclusive dando uma comunicação sobre o assunto, logo após o seu desencarne, em novembro de 1869.

No início, houve equívoco quanto à natureza e aos fins do Espiritismo. As brincadeiras de salão, a curiosidade e o querer entrar em comunicação com os Espíritos foram as primeiras formas que os Espíritos superiores acharam para poder chamar a atenção sobre o fenômeno mediúnico. Quando os Espíritos sérios e moralizadores tomaram o lugar dos Espíritos brincalhões, os adeptos das brincadeiras desertaram.

Na época da adivinhação, muitas pessoas, movidas pelo espírito comercial de ganhar dinheiro na especulação do maravilhoso, acabaram desertando porque os Espíritos não vinham ajudá-las a enriquecer, nem lhes revelar o número sorteado nas loterias. Quando o que vaticinavam dava certo, deferiam louvores ao Espiritismo; quando não dava, denegriam-no. Esta fase também foi útil, porque separou os Espíritas sérios dos aproveitadores.

Haveria deserção entre os Espíritas convictos? Não. Allan Kardec fala das fraquezas humanas, como o orgulho e o egoísmo. Acha que há desfalecimentos, em que a coragem e a perseverança fraquejaram diante de uma decepção. Ele diz: "Entre os adeptos convictos, não há deserções, na lídima acepção do termo, visto como aquele que desertasse, por motivo de interesse ou qualquer outro, nunca teria sido sinceramente espírita".

O Espírito Emmanuel, no capítulo 9, "Mensagem aos Médiuns", do livro Emmanuel, psicografado por Francisco Cândido Xavier, alerta-nos sobre a deserção da tarefa mediúnica. Diz-nos que os médiuns, pela misericórdia divina, receberam a bênção da mediunidade para poderem redimir os seus erros do passado. Aceitando as incumbências da tarefa mediúnica, estarão sob a proteção dos benfeitores espirituais; desertando, poderão perdê-la.

O Espírito Irmão X, no capítulo 15, "O Compromisso", do livroEstante da Vida, psicografado por Francisco Cândido Xavier, dá-nos um bom exemplo de deserção. Conta-nos o caso de Alberto Nogueira, Espírito endividado que, antes de reencarnar, pedira lepra, cegueira e toda a sorte de dificuldades, mas os benfeitores espirituais deram-lhe apenas o mandato mediúnico. Instado a colaborar num caso de obsessão, encontram-no totalmente ocioso, enquadrado em pijama, com medo de trabalhar.

Todos nós estamos sujeitos à deserção. Cabe-nos rogar aos bons Espíritos para que a nossa mente seja iluminada, a fim de darmos conta de nossa tarefa.


Bibliografia Consultada

KARDEC, A. Obras Póstumas. 15. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1975.
XAVIER, F. C. Emmanuel (Dissertações Mediúnicas), pelo Espírito Emmanuel. 9. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1981.
XAVIER, F. C. Estante da Vida, pelo Espírito Irmão X. 3. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1974.


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22 junho 2009

Exame e Retenção


"Examinai tudo. Retende o bem". (I Tessalonicenses, 5, 21)

O apóstolo Paulo, na sua vasta sabedoria, afirmou que deveríamos examinar tudo, mas acrescentou que deveríamos apenas reter o bem. Os Espíritos menos avisados, ao interpretarem este versículo, acham que Paulo nos autorizou a ler de tudo. Esquecem-se de que há crianças, doentes e analfabetos, os quais requerem leituras ou conhecimentos adequados ao seu grau de recepção.

O afã de ler e opinar sobre tudo, impede-nos de fixar a nossa atenção e a nossa concentração nos temas pertinentes à salvação de nossa alma. Geralmente, quando nos deixamos dominar pelas notícias do jornal e pela mídia televisiva, acabamos desviando os nossos pensamentos das informações mais substanciais, aquelas que são realmente essenciais ao nosso progresso espiritual, para as mais vulgares, para aquelas que não trazem proveito algum para a nossa alma.

A seleção vem com o tempo. É pela reflexão e experiência no ouvir e ler que o Espírito vai, no meio de tudo o que se lhe apresenta, fixando o pensamento no que concerne à sua evolução espiritual. "Que aproveita ao homem ganhar o mundo e perder a sua alma?", alerta-nos o Evangelho. Ganhar o mundo é aderir ao mundo, tornar-se escravo dos seus hábitos e costumes. O cristão deve estar no mundo, mas sem ser do mundo.

O que pode atrapalhar o nosso progresso espiritual? O comodismo, as conversas chulas, as reclamações, os comentários menos felizes e, inclusive, o guarda-roupa repleto de vestes sem uso. Isto tudo impede-nos de sair de uma margem para nos dirigirmos à outra. Observe que, à medida que deixamos cada margem para trás, o horizonte se amplia, pois passamos a ver o mundo com outros olhos. Se, porém, acomodarmo-nos à nossa limitação, com certeza não conseguiremos adentrar no mar alto das grandes provações.

Suponha que tenhamos recebido, gratuitamente, os conhecimentos superiores. Qual é o nosso dever? Reparti-los com o próximo, consoante o "Dar de graça o que de graça receber". Se quisermos retê-los, somente para o nosso uso, não estaremos atendendo à lei de cooperação, tão bem ensinada por Jesus. Se Deus nos colocou numa situação de absorção desses conhecimentos superiores, Ele o fez para que sejamos os seus amplificadores.

Retenhamos somente os materiais imprescindíveis às nossas necessidades vitais. Tudo o que percebermos em excesso, seja o que for, descartamo-lo imediatamente.

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19 junho 2009

Os Cuidados com a Terminologia Espírita


Terminologia é o "conjunto dos termos especializados próprios de uma ciência, de uma técnica, de um autor ou de um grupo social determinado". Nesse caso, há a terminologia médica, a terminologia do esoterismo, a terminologia da informática etc. É também a "disciplina linguística que estuda os conceitos e os termos usados em linguagem de especialidade". Há, assim, a linguagem do dia-a-dia e a linguagem especializada. Claro está que o expositor espírita deverá se preocupar com a linguagem especializada.

O conceito constitui o intermediário entre a imagem e a forma. É função criadora que organiza a ordem interna do discurso. Ao lado do conceito, temos a definição que, de acordo com a regra escolástica, se faz "per genus proximum et differentiam specificam" (pelo gênero próximo e diferença específica). Assim, definir, segundo a lógica formal, é dizer o que a coisa é, com base no gênero próximo e na diferença específica. Para que possamos comunicar os termos, temos de conhecê-los. Para conhecê-los, temos que nos debruçar sobre os princípios doutrinários do Espiritismo, ou seja, sobre os livros básicos da codificação.

Allan Kardec, ao expor as novas ideias espíritas, preocupou-se com a sua terminologia, esforçando-se por lhe dar um caráter particular. No século XIX, século em que Kardec esteve encarnado, o espiritualismo moderno já tinha cunhado diversos termos. O codificador, para não confundir a nova doutrina com o que já existia, cunhou os novos termos, começando pela diferença entre Espiritismo e espiritualismo. O Espiritismo refere-se exclusivamente aos princípios codificados por Allan Kardec; o espiritualismo, a todo aquele que crê que há algo além da matéria.

O espírita, para ilustrar as suas palestras, costuma buscar informações em outros campos de interesse. É preciso saber distinguir a nomenclatura alheia daquela externada por Allan Kardec. Quando é solicitado a falar sobre aura, cores e energização, busca informações nos livros esotéricos que tratam do tema; em seguida, passa esses termos como se eles fossem próprios do Espiritismo. Esse método pode confundir a cabeça dos menos avisados.

Allan Kardec, quando codificou a Doutrina Espírita, deu-lhe um caráter próprio. Na maioria das vezes, comparava a versão espírita com aquela que já existia, procurando mostrar a diferença entre ambas. Entre tais palavras, citamos: alma, céu, inferno e purgatório, reencarnação e chakras. O papel do expositor espírita é dar continuidade a esse método, para que os princípios doutrinários não se percam ou sejam mal-interpretados.

Debrucemos-nos cuidadosamente sobre os princípios doutrinários do Espiritismo. Não permitamos que as novidades do dia-a-dia desviem a nossa atenção daquilo que é realmente essencial à compreensão da Doutrina Espírita.
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14 junho 2009

Cerceando o Alastramento do Mal


O Espírito Emmanuel, no capítulo 51, "No Solo do Espírito", em Palavras de Vida Eterna, ao comentar a parábola do semeador, diz-nos que há homens-calhaus, homens-espinheiros, homens-milhafres, homens-parasitas, homens-charcos, homens-furnas, homens-superfícies, homens-obstáculos, homens-venenos, homens-palhas, homens-sorvedouros, homens-erosões e homens-abismos. Em meio a esses tipos de homens, surpreende-nos, também, os "homens-searas, aqueles que reunindo consigo o solo produtivo do caráter reto, a água pura dos sentimentos nobres, o adubo da abnegação, a charrua do esforço próprio e o suor do trabalho constante, sabem albergar sementes divinas do conhecimento superior, produzindo as colheitas do bem para os semelhantes".

Esta mensagem leva-nos a refletir sobre os acontecimentos menos felizes que nos rodeiam, ou seja, o desprezo, os sarcasmo, a ofensa, a injúria, os furtos e os diversos vícios. Observe um furto na Casa Espírita. A repercussão desse ato mina a confiança entre as pessoas mais chegadas, porque se fica pensando em quem poderia ter surrupiado aquele dinheiro. Este já fez algo que o desabonasse no passado, aquele saiu por último, aquele tem a chave do Centro, e assim sucessivamente.

Daí, dizer-se que o mal está visível, alastrando-se com facilidade, enquanto o bem, que está no fundo do acontecimento, fica escondido, oculto. Por mais constrangedora a situação, há sempre uma luz no fim do túnel. Quem sabe este acontecimento não é um aviso, quem sabe não precisávamos tomar mais cuidado com os recursos financeiros? O julgamento, sem provas concretas, acarreta um viés. É preciso estancar as suposições, para que o equilíbrio se restabeleça novamente.

A lógica do raciocínio, quando não temos certeza do fato, não nos leva muito longe, pois podemos errar. Aquela pessoa foi a última a sair; então deve ter sido ela. É mera suposição, a não ser que tenhamos elementos mais concretos, ou seja, um cheque que foi depositado em sua conta, uma câmera que tenha captado as suas ações. Por que não tentarmos obter a resposta através de uma comunicação mediúnica? A comunicação mediúnica também não é a verdade. Quando nos faltam as informações verdadeiras, convém pararmos e desviarmos o nosso pensamento para temas mais substanciais.

Esta mensagem, do Espírito Emmanuel, lembra-nos de que há homens de diversos matizes, como os calhaus, os parasitas e os usurpadores. Enfatiza, também, que há os homens de caráter reto, de sentimento puro. Reverenciar estes últimos é o caminho mais produtivo, pois são eles que estão doando tempo e recursos próprios para o bom andamento dos diversos serviços que uma Casa Espírita oferece aos seus frequentadores.

Quem furtou já tem o seu peso na consciência. A Lei Natural saberá julgar com mais eficiência. De nossa parte, saibamos improvisar o bem onde o mal se avizinha, trabalhando com mais afinco para o progresso de nossa Entidade.
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10 junho 2009

Reforma Íntima

Reforma íntima nada mais é do que o desenvolvimento latente que jaz em nosso espírito. É um requisito indispensável à própria saúde. A repetição de um termo faz com que se perca o seu sentido conceitual. Tal qual a palavra Evangelho, que de tanto ser repetida, perdeu sua feição de boa nova, a reforma íntima não tem mais o sentido de desenvolvimento das virtualidades inscritas no âmago de cada ser. Parece mais uma proibição: "não beba", "não fume", "não faça isso", "não faça aquilo" etc.

No lugar de reforma íntima, deveríamos usar o termo "mudança comportamental". A reforma pressupõe conserto, remendo, reparo. A imagem mais clara é quando precisamos fazer uma reforma em nossa casa: quebramos, para depois construir outro imóvel, mais belo e mais de acordo com os tempos atuais. Assim, em vez de reforma, que pressupõe conserto, o termo mudança comportamental, entendida como desenvolvimento, seria mais conveniente. Como o Espírito foi criado simples e ignorante, mas sujeito ao progresso, a mudança pressupõe que esse Espírito esteja crescendo, evoluindo.

Uma forma didática de se entender a reforma íntima é relacioná-la aos reflexos condicionados. Todos nós somos herdeiros de um automatismo, vindo de longa data. Dado um estímulo, respondemos automaticamente. Se xingados, queremos revidar. Observe as nossas respostas, as nossas reações no trânsito: uma leve "fechada" pode até ocasionar morte. E se mudássemos essa resposta automática. E se, em vez de querermos briga, perdoarmos aquele nosso irmão? Não haveria um ganho para o infrator e para nós?

Conhecer a si mesmo não significa necessariamente reformar-se. Sócrates, quando nos revelou o "conhece a ti mesmo", não estava interessado numa mudança comportamental. Queria apenas que cada um de nós tomasse consciência da sua própria ignorância. Quando o termo passou para o latim, "nosce te ipsum", começaram a modificar-lhe o sentido e colocaram-no como condição moral para que o ser humano pudesse mudar os seus hábitos e os seus costumes.

O procedimento com relação à reforma íntima é único: uma vez iniciada, convém dar-lhe continuidade. Parar é regredir, é voltar aos mesmos erros que cometíamos no passado. Um bom exercício é o ser humano se colocar no meio de uma montanha. Tem que ir em frente, porque a queda pode ser violenta.

Quanto à reforma íntima, o grande erro que cometemos é querer fazer uma reforma radical. Lembremo-nos de que os ensinamentos veiculados por Jesus, e por outros grandes lideres da humanidade, são modelos que devemos ter em mente. É como um ideal, uma meta a alcançar, porque a evolução não dá saltos. Querer melhorar a qualquer custo é também uma forma de violência.
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Nascimento de Jesus


A origem de Jesus, o Messias, foi assim: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, e, antes de viverem juntos, ela ficou grávida pela ação do Espírito Santo. José, seu marido, era justo. Não queria denunciar Maria, e pensava em deixá-la, sem ninguém saber. Enquanto José pensava nisso, o Anjo do Senhor lhe apareceu em sonho, e disse: "José, filho de Davi, não tenha medo de receber Maria como esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, e você lhe dará o nome de Jesus, pois ele vai salvar o seu povo dos seus pecados". Tudo isso aconteceu para se cumprir o que o Senhor havia dito pelo profeta: "Vejam: a virgem conceberá, e dará à luz um filho. Ele será chamado pelo nome de Emanuel, que quer dizer: Deus está conosco". Quando acordou, José fez conforme o Anjo do Senhor havia mandado: levou Maria para casa, e, sem ter relações com ela, Maria deu à luz um filho. E José deu a ele o nome de Jesus. (Mateus, 18, 24)

Os evangelistas Mateus e Lucas afirmam que Maria concebeu Jesus sem a intervenção de varão: o que nela foi concebido veio do Espírito Santo. O fato de Jesus, na Cruz, entregar sua Mãe aos cuidados de João supõe que a Virgem não tinha outros filhos. Os evangelhos, entretanto, mencionam em certos trechos os irmãos de Jesus. Como se explica? É que o termo irmãos, em hebraico, significa parentes próximos. Outra hipótese seria supor que José tivesse filhos de um matrimônio anterior. Também podemos considerar que o termo irmãos foi usado no sentido de membro do grupo de crentes, tal como é comum no Novo Testamento.

Sobre a virgindade de Maria. Fisicamente, é impossível derrogar a lei natural da reprodução, no caso, sexuada. Espiritualmente, é possível conceber a virgindade de Maria em termos dos pensamentos, das palavras e dos seus atos. Podemos dizer que foi um Espírito de alta hierarquia espiritual, que tomou como missão servir de vaso ao nascimento daquele que iria ser o salvador do mundo.

Diz-se que uma estrela apareceu aos magos que foram adorar Jesus; que ela lhes ia à frente indicando-lhes o caminho e que se deteve quando eles chegaram. Allan Kardec, em A Gênese, afirma que aquela luz não podia ser uma estrela. É que na época, com poucos recursos astronômicos, eles acreditavam que pontos luminosos fossem estrelas. Acrescenta: "Entretanto, por não ter como causa a que lhe atribuíram, não deixa de ser possível o fato da aparição de uma luz com o aspecto de uma estrela. Um Espírito pode aparecer sob a forma luminosa, ou transformar uma parte de seu fluido perispirítico em foco luminoso. Muitos fatos desse gênero, modernos e perfeitamente autênticos, não procedem de outra causa, que nada apresenta de sobrenatural". (1975, cap. 15, p. 312)

Jesus foi um agênere? Pelo fato de Jesus ter nascido de uma virgem, deduz-se também que o seu corpo não era carnal, mas fluídico. Isto, mais uma vez, contradiz a Lei Natural. Podemos entender que Jesus, sendo um Espírito bastante elevado, tinha o seu corpo formado daquilo que era de mais sutil do fluido cósmico universal do nosso globo terrestre.

Jesus e Cristo são a mesma pessoa? O demonstrativo "este Jesus" mostra que Jesus é um ser de carne, "nascido de uma mulher, nascido súdito da Lei" (Gal. 4,4). Surgiu numa data determinada, numa família humana, a de José, numa vila da Galiléia, chamada Nazaré. Contudo, Jesus é o nome empregado pelos evangelhos para designar Cristo e relatar a sua atividade. Aplicavam ao personagem concreto os títulos salvíficos e divinos, os de Senhor, de Cristo, de Salvador, de Filho de Deus, de Servo de Deus. Insistindo na divindade de Jesus, davam origem à Boa-Nova, ou seja, às mensagens para a regeneração da humanidade.

Como fazer Cristo nascer em nós? Os discípulos de Jesus, também denominados apóstolos, saíram para pregar a Boa-Nova, o anúncio do Reino de Deus. Depois deles, apareceram outros, como é caso de Paulo de Tarso, cognominado o apóstolo dos gentios. Presentemente, somos nós outros que devemos dar continuidade aos seus ensinamentos, consoante a mensagem de Emmanuel:

"Quando o Cristo designou os seus discípulos, como sendo a luz do mundo, assinalou-lhes tremenda responsabilidade na Terra.
A missão da luz é clarear caminhos, varrer sombras e salvar vidas, missão essa que se desenvolve, invariavelmente, à custa do combustível que lhe serve de base.
A chama da candeia gasta o óleo do pavio.
A iluminação elétrica consome força da usina.
E a claridade, seja do Sol ou do candelabro, é sempre mensagem de segurança e discernimento, reconforto e alegria, tranqüilizando aqueles em torno dos quais resplandece.
Se nos compenetramos, pois, da lição do Cristo, interessados em acompanhá-lo, é indispensável a nossa disposição de doar as nossas forças na atividade incessante do bem, para que a Boa Nova brilhe na senda de redenção para todos.
Cristão sem espírito de sacrifício é lâmpada morta no santuário do Evangelho.
Busquemos o Senhor, oferecendo aos outros o melhor de nós mesmos.
Sigamo-lo, auxiliando indistintamente.
Não nos detenhamos em conflitos ou perquirições sem proveito.
"Vós sois a luz do mundo" ─, e a luz não argumenta, mas esclarece e socorre, ajuda e ilumina". (Xavier, s.d.p., cap. 105)

Bibliografia Consultada

KARDEC, A. A Gênese - Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo. 17. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1975.
XAVIER, F. C. Fonte Viva, pelo Espírito Emmanuel. Rio de Janeiro: FEB, [s.d.p.]

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Matéria

Matéria – substância, aquilo que tem extensão no espaço e no tempo. Designação de tudo o que ocupa lugar no espaço e possui massa. Modernamente, a matéria é considerada como uma forma de energia, baseada na fórmula E = mc2, em que E (energia), m (massa) e c (velocidade da luz no vácuo).

Antimatéria é a variedade de matéria que difere da matéria que predomina no nosso universo por ser composta de antipartículas. No átomo são consideradas três partículas: protão, neutrão e eletrão. Existem, contudo, antipartículas (partículas com a mesma massa, mas de cargas opostas), como o antiprotão e o antieletrão. Isso levou à concepção da antimatéria, que existe no globo terrestre, mas poderia ser encontrada noutras galáxias. (Dicionário de Ciências Físicas e Biológicas) Imaterial é o conjunto do que existe fora da matéria; sobrenatural, espiritual. Daí o termo imaterialismo, criado por Berkeley, para designar as coisas de Deus. Segundo as instruções dos Espíritos, a MATÉRIA existe em estados ainda desconhecidos por nós. Ela pode ser tão sutil que não produza nenhuma impressão em nossos sentidos. Mesmo parecendo imperceptível, será sempre matéria.

A matéria é constituída de apenas um elemento ou de vários elementos? Para Aristóteles, os corpos são classificados a partir da teoria dos quatro elementos, elaborada pelo pré-socrático Empédocles, segundo a qual os elementos constitutivos de todos os seres são: terra (matéria sólida); ar (matéria gasosa); água (matéria líquida); e fogo (matéria em combustão). Essa teoria foi aceita até o século XVIII, quando Lavoisier demonstrou que não se tratava de elementos, mas de substâncias compostas.

De acordo com Allan Kardec, os materiais constitutivos do mundo são matéria cósmica primitiva, simples e una, que se diversifica desde sua origem, continuando durante sua vida e se desmembrando pela decomposição. Se observarmos a diversidade da matéria, ver-se-á que as forças que realizam suas transformações, e as condições em que são produzidas, são ilimitadas, porque ilimitadas são as combinações da matéria. Assim, conclui Kardec: "Em todo o Universo, há uma só substância primitiva: a matéria cósmica ou fluido etéreo, que enche o espaço e penetra os corpos". É essa matéria cósmica primitiva geradora do mundo e dos seres, por forças e leis imutáveis que regem o Universo. (Kardec, 1975, p. 107 a 109)

Pode-se dizer que o Espírito, sendo incorpóreo, é destituído de matéria? Não. O Espírito, por ser real, há de ser alguma coisa. Diz-se que ele é imaterial, mas como é alguma coisa, o termo incorpóreo se ajustaria melhor. Em outras palavras, ele tem matéria, mas difere de tudo o que conhecemos por matéria. Por isso, os dois princípios do universo: a matéria e o Espírito.

Como pode o Espírito afetar a matéria e esta o Espírito? O perispírito, envoltório semimaterial do Espírito, é o elo de ligação entre o Espírito e a matéria. Em O Livro dos Médiuns, Allan Kardec afirma que no conhecimento do perispírito está a solução para os diversos problemas da humanidade, inclusive os de cunho filosófico. A natureza do Espírito é quintessenciada. Ele não consegue se ligar diretamente à matéria, bastante bruta e grosseira. Necessita, assim, de um elemento semimaterial, que é o perispírito.

Como se dá a união entre o Espírito e o corpo físico? "Quando o Espírito tem de encarnar num corpo humano em vias de formação, um laço fluídico, que mais não é do que uma expansão do seu perispírito, o liga ao gérmen que o atrai por uma força irresistível, desde o momento da concepção. À medida que o gérmen se desenvolve, o laço encurta. Sob a influência do princípio vito-material do gérmen, o perispírito, que possui certas propriedades da matéria, se une, molécula a molécula, ao corpo em formação, donde o poder dizer-se que o Espírito, por intermédio do seu perispírito, se enraíza, de certa maneira, nesse gérmen, como uma planta na terra. Quando o gérmen chega ao seu pleno desenvolvimento, completa é a união; nasce então o ser para a vida exterior". (Kardec, 1975, it. 18, p. 214)

A matéria é entrave à evolução do Espírito? A matéria é o liame que escraviza o Espírito; é o instrumento que ele usa, e sobre o qual, ao mesmo tempo, exerce sua ação. A matéria é o meio; o fim é a evolução do Espírito. Não é a matéria que atrapalha a evolução do Espírito, mas os atrativos da matéria, ou seja, os prazeres, as guloseimas, as diversões etc.

Os filósofos ainda não encontraram uma solução para o problema da relação entre Espírito e matéria. A dualidade continua. Somente quando os filósofos incluírem o conceito de perispírito em suas análises, poderão dar uma solução satisfatória ao problema.

Bibliografia Consultada


DICIONÁRIO DE CIÊNCIAS FÍSICAS E BIOLÓGICAS. São Paulo: Meca, S.D.P.
KARDEC, A. A Gênese - Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo. 17. ed., Rio de Janeiro: FEB, 1975.
KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. 8. ed., São Paulo: FEESP, 1995.



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Marxismo e Espiritismo


Karl Marx (1818-1883) foi um economista e sociólogo alemão que se associou a Friedrich Engels para escrever sobre Economia e Política. Em 1845, publicou A Miséria da Filosofia. Em 1848, publica, juntamente com Engels, O Manifesto Comunista. Em 1859, publica a Critica da Política Econômica, que contém a essência das teorias econômicas, posteriormente desenvolvidas em seu livro famoso O Capital, cujo primeiro volume surgiu em 1867.

O marxismo, tal como foi elaborado por Marx e Engels, é uma concepção dialético-materialista da natureza e da história, portadora de um projeto ético-político de transformação da sociedade capitalista dos tempos modernos. Deste núcleo central derivam três correntes filosóficas: a) marxismo-leninismo; b) marxismo humanista; c) marxismo histórico-científico. (Enciclopédia Verbo de Sociedade e Estado)

O ponto de partida para a compreensão da concepção dialético-materialista da natureza e da história é a dialética de Hegel. Hegel (1770-1831) estabelecera as três fases do desenvolvimento do pensamento: tese, antítese, síntese (ou luta dos contrários). Uma vez alcançada a síntese, esta se torna uma nova tese para mais uma etapa da evolução do pensamento. Hegel falava a respeito do pensamento, da idéia, por isso idealista. Feuerbach (1775-1833), que foi discípulo Hegel, discorda do seu mestre, inverte a dialética de Hegel, colocando a matéria como principal e o Espírito como secundário. Marx, que também fora discípulo de Hegel, junta essas duas concepções e concebe o materialismo dialético histórico. Por que o faz? Por causa da sua observação da luta de classes ao longo da história da humanidade. Viu que na Idade Primitiva, os escravos lutavam contra os senhores; na Idade Média, os vassalos lutavam contra os senhores feudais; na Idade Moderna, o proletariado lutava contra os empresários.

Na perspectiva da dialética materialista, a matéria é eterna, essencialmente dinâmica, em permanente movimento ascensorial. Num determinado momento do seu curso evolutivo, aparece a vida; num determinado momento da evolução da vida, surge o homem, cujo cérebro produz o pensamento como reflexo dos movimentos anteriores. Aplicada à história, a dialética materialista significa que a evolução da sociedade é determinada, em última instância, pelo modo de produção dos meios de subsistência. Com base nessa observação histórica, Marx e Engels sustentam que "a história de toda a sociedade até os nossos dias é a história da luta de classes". (Manifesto do Partido Comunista)

O sistema capitalista de livre iniciativa contém, em si próprio, o germe da sua destruição. Como explicar? A alienação econômica fundamenta esta explicação. Marx parte da distinção entre o valor de uso e o valor de troca do trabalho humano. Acha ele que o proprietário paga um valor inferior àquele que o empregado produz para a empresa. A isto se dá o nome de mais-valia. Em suas lucubrações, chega à conclusão que surgirá um regime provisório – ditadura do proletariado – durante o qual se procederá a eliminação dos vestígios do espírito burguês.

Como se passaria do sistema capitalista para o comunismo? No capitalismo há luta de classes (proletário e empresário). Este seria o último estádio – a partir do qual surgirá o socialismo, para depois vir o comunismo, uma sociedade sem classes, sem Estado, sem o homem explorando o próprio homem. Vigoraria apenas a igualdade absoluta.

Algumas críticas ao marxismo: a matéria é uma concepção vaga, sem prévia demonstração de importantes propriedades ontológicas: eternidade, infinidade, auto-movimento e poder criador; quanto à influência do econômico, trata-se de uma grande confusão de conceitos; como doutrina metafísica, o materialismo dialético não passa de um postulado sem base racional; sob o aspecto religioso, reconhece-se o acerto de Marx à ilusão da religião. Contudo, o verdadeiro teísmo, tanto filosófico como revelado, não se confunde com essas ilusões.

Por que Marx se insurgiu contra a religião? Marx era um cientista, e como tal, baseava-se na comprovação dos fatos. Os fatos materiais, aqueles que se podem apalpar, oferecem vastos campos à comprovação. Quanto aos dados do Espírito, a religião da época não lhe fornecia provas convincentes. Marx desconfiava das promessas da felicidade em outro mundo, na vida futura. Concentra-se assim apenas na matéria, no concreto. Não o faz por capricho, por querer contrariar a religião, mas por causa de sua sina de cientista.

Como relacionar Marx e Kardec? Marx viu o homem como um composto físico-químico – conduzido pelo modo de produção. Kardec nos ensinava que o espírito está encarnado num corpo físico. O homem de Marx libertou-se da exploração econômica, mas não da perspectiva da morte. Kardec ensinou-nos a respeito da imortalidade da alma. Marx acertou na tese da "exploração do homem pelo homem". Fez ver que o socialismo, ou regime de propriedade coletiva, corresponde a um novo sentido da vida. O mesmo admite a doutrina socialista espírita. (Mariotti, 1983)

O Espiritismo vem nos trazer subsídios para todo e qualquer assunto, quer seja de cunho mediúnico, social e científico. Basta que apliquemos os seus princípios fundamentais em nossas análises.


Bibliografia Consultada

MARIOTTI, Humberto. Parapsicologia e Materialismo Histórico. Tradução de J. L. Ovando. São Paulo: Edicel, 1983.
POLIS - ENCICLOPÉDIA VERBO DA SOCIEDADE E DO ESTADO. São Paulo: Verbo, 1986.


São Paulo, maio de 2008



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O Tempo


Tempo é a sucessão dos anos, dos dias, das horas etc., que envolve, para o homem, a noção de presente, passado e futuro: o curso do tempo; o tempo é um meio contínuo e indefinido no qual os acontecimentos parecem suceder-se em momentos irreversíveis. (Dicionário Aurélio)

O tempo é um problema. Por problema, entende-se uma análise mais acurada de um tema aparentemente fácil e intuitivo. Santo Agostinho nos dizia que quando não lhe perguntavam sobre o tempo, sabia a resposta, mas, se questionado, já não o sabia mais. É factível, pois, considerá-lo como um problema. Por exemplo, ao dizermos que o tempo é a duração sucessiva de qualquer fenômeno ou do movimento real das coisas, criamos um problema, pois o enigma da duração sucessiva é problemático. O que é duração? Os filósofos antigos perguntaram à esfinge o que era o tempo, mas ela nada respondeu, porque era o próprio tempo feito estátua de silêncio.

A pergunta fundamental não é: que é o tempo? Muitos pensadores se posicionaram para defini-lo. Newton diz: "O tempo absoluto, verdadeiro e matemático, flui uniformemente devido à sua própria natureza e a partir de si próprio, sem relação com qualquer coisa externa". Para Aristóteles, "O tempo é o número do movimento segundo um antes e um depois". O físico norte-americano Richard Feynman, laureado com o Prêmio Nobel, afirma: "Tempo é o que acontece quando mais nada acontece". A pergunta fundamental é: "Como é que o homem chega ao tempo?" Para responder a essa pergunta, devemos prestar atenção à classificação hierárquica de vivências do tempo.

Vivência da simultaneidade por oposição a não-simultaneidade;

Vivência da sucessão ou da ordem temporal;
Vivência do presente ou do agora;
Vivência da duração. (Pöpel, 1989, cap. II)

O relógio mede o tempo? Como medir algo que não se deixa tocar, ouvir, saborear nem respirar como um odor? Os relógios são processos físicos que a sociedade padronizou, para computar os segundos, os minutos e as horas. Para que isso seja possível, os acontecimentos devem ocorrer numa certa ordem. Se dois eventos não forem rigorosamente simultâneos, um acontece antes do outro. Qualquer medida desse tempo reduz-se a contar o número de acontecimentos de certo tipo, como, por exemplo, a alternância entre dia e noite. Pode-se usar o número de batidas do pêndulo, ou o número de vibrações de um cristal. Por convenção, um dia possui, assim, a duração de 86.400 segundos e um segundo dura tanto quanto 9.192.633.770 períodos de um fenômeno de transição provocado em um átomo de césio.

A noção de presente torna-se frágil: passamos a dizer: "eu serei" ou "eu era". Entretanto, um consolo é oferecido pela física quântica àqueles que viessem a ficar desgostosos com desaparecimento do presente: nenhuma dimensão poderia ser inferior ao "tempo de Planck", que dura 5,4 x 10-44segundos. Enquanto decorre essa duração, é, portanto, permitido em boa lógica dizer "eu sou", mas isso tem de ser dito muito depressa. Essa duração interior não mantém, em geral, vínculos estreitos com o tempo objetivo dos acontecimentos: os minutos de espera são longos, os instantes de prazer são curtos; com a idade, os anos passam cada vez mais depressa. (Jacquard, 2004)
)Que relação há entre tempo e eternidade? O tempo é apenas uma medida relativa da sucessão das coisas transitórias; a eternidade não é suscetível de medida alguma, do ponto de vista da duração; para ela, não há começo, nem fim: tudo lhe é presente. Se séculos de séculos são menos que um segundo, relativamente à eternidade, que vem a ser a duração da vida humana? (Kardec, 1975, pág. 107)


Bibliografia Consultada

FERREIRA, A. B. de H.Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, s/d/p.
PÖPPEL, Ernest. Fronteiras da Consciência: Da Realidade e da Experiência do Mundo. Tradução de Ana Maria Roltoff. Lisboa: Edições 70, 1989.
JACQUARD, Albert. Filosofia para não Filósofos: Respostas Claras para Questões Essenciais. Tradução de Guilherme João de Freitas.Teixeira. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.
ASKIN, I. F. O Problema do Tempo - Sua Interpretação Filosófica. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1969.
KARDEC, A. A Gênese - Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo. 17. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1976.

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Sermão do Monte

Jesus ensinava – oralmente – em aramaico, sua língua materna. Como nada escreveu, a sua palavra devia ressoar sobre os discípulos. Por isso, catequese – do grego katechéo, fazer ressoar. Ressonância significava a voz na presença dos discípulos. O discípulo que tivesse recebido o ensinamento era ressoado, ou seja, catequizado. Depois de catequizado, poderia catequizar outros. Pode-se dizer que Jesus proclamou, junto aos discípulos, o mais conciso e ordenado sistema de uma filosofia universal. Ali se achava tudo o que alma necessitava saber a respeito de Deus, da criação e da vida quotidiana, tanto naquela época como nas vindouras. O sermão tinha um caráter universalista, uma espécie de "carta magna" para toda a humanidade. (Stella, 1978)

O monte é o lugar de destaque na vida religiosa dos povos. É o lugar da solidão, da oração e da revelação. Segundo uma constante tradição bíblica, é o lugar próprio para os encontros com Deus. Na Grécia, o monte Olímpico; na Índia, o monte Meru; na China, o monte Kuen-luen. Há, também, o monte Sinai, o monte das Oliveiras etc., cada qual com sua particularidade. (Stella, 1978)

Também chamado Sermão da Montanha ou Sermão das Bem-Aventuranças, foi pronunciado por Jesus na fralda de um de um monte, em Cafarnaum, dirigindo-se a todas as pessoas que o seguiam. Nele Jesus faz uma síntese das leis morais que regem a humanidade. O Sermão do Monte veio para reformar a humanidade na sua totalidade. Não é para uma religião, mas para toda a religião. Segundo alguns religiosos, o sermão do monte é o mais revolucionário dos discursos humanos, simplesmente porque é divino. Quando acabou de proferir o sermão, os discípulos disseram: "Este ensina como quem tem autoridade".

as oito regras do sermão são:

1.ª) Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus.
2.ª) Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.
3.ª) Bem-aventurados aqueles que são brandos e pacíficos, porque herdarão a Terra.
4.ª) bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.
5.ª) Bem-aventurados aqueles que são misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.
6.ª) Bem-aventurados aqueles que têm puro o coração, porque verão a Deus.
7.ª) bem-aventurados os que sofrem perseguição pela justiça, porque o reino dos céus é para eles.
8.ª) Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem e vos perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós. (Mateus, 5, 1 a 12)

Bem-aventurança é o termo técnico para indicar uma forma literária que se encontra quer no Antigo quer no Novo Testamento. A Bem-Aventurança é uma declaração de bênção com base em uma virtude ou na boa sorte. A fórmula se inicia com "bem-aventurado aquele..." Com Jesus toma a forma de um paradoxo: a bem-aventurança não é proclamada em virtude de uma boa sorte, mas exatamente em virtude de uma má sorte: pobreza, fome, dor, perseguição. Segundo Wendisch, as bem-aventuranças são uma espécie de torah (lei). Nos paradoxos (ir contra a opinião comum), Jesus ensinou o avesso daquilo que os homens pensavam, fazendo-os refletir na felicidade, não como a posse de bens materiais, mas como estar na visão e posse de Deus.

A palavra "céus" foi usada por Mateus; os outros evangelistas usaram a palavra "Deus". Explicação: Mateus usou reino dos céus, porque Deus era um nome inefável que os judeus se abstinham de pronunciar com receio de dizerem em vão. Lucas, ao compor o seu Evangelho para os cristãos convertidos do paganismo, que por isso não tinham os mesmos escrúpulos, diz correntemente como Marcos: "o reino de Deus" ou então "reinado de Deus". (Chevrot, 1971)

Os Apóstolos, ao registrarem por escrito, as palavras de Cristo, prenderam-se mais ao sentido do que à letra. Por exemplo, a inscrição que Pilatos mandou colocar na cruz devia ser conforme a letra. Contudo, anotamos as seguintes divergências verbais: "Jesus o Nazareno, o rei dos judeus", João 19,19, "Este é Jesus, o rei dos Judeus", Mat. 27,37, "O rei dos Judeus, este", Luc. 23,38, "O rei dos Judeus", Marc. 15,26. (Stella, 1978)

O mestre não quis pronunciar o seu discurso inaugural no interior de uma sinagoga ou nos pórticos do Templo. Para fazer ouvir uma mensagem destinada aos homens de todos os tempos, precisava de ar livre, de altitude, dos horizontes sem limite da natureza. Ele falava do impulso de progresso, da ressonância, do movimento. Dizia: as raposas têm as suas tocas, os pássaros os seus ninhos, mas Ele não terá um teto onde reclinar a cabeça. Caminhará sempre, sem parar.

A Igreja, de qualquer espécie que for, não pode permanecer somente como instituição. Deve ser um movimento, um processo de aperfeiçoamento das almas. A Igreja não é um estabelecimento, é um movimento, a sua função é "renovar a face da terra", quebrando preconceitos e denunciando os conformismos. Paulo foi muito feliz quando disse: "Embora se destrua em nós o homem exterior, o homem interior vai-se renovando de dia para dia".

Bibliografia Consultada

CHEVROT, Georges. O Sermão da Montanha. Tradução de Alípio Maia de Castro. São Paulo: Quadrante, 1971.
STELLA, J. B. O Sermão da Montanha: A Religião de Cristo. São Paulo: Metodista, 1978.

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O Rico e o Lázaro


"Havia um homem rico, que se vestia de púrpura e de Holanda, e que todos os dias se banqueteava esplendidamente. Havia também um pobre mendigo, por nome Lázaro, todo coberto de chagas, que estava deitado à sua porta, e que desejava fartar-se das migalhas que caiam da mesa do rico, mas ninguém lhas dava; e os cães vinham lamber-lhes as úlceras. Ora sucedeu morrer este mendigo, que foi levado pelos anjos ao seio de Abraão. E morreu também o rico, e foi sepultado no inferno. E quando ele estava nos tormentos, levantando os olhos, viu ao longe Abraão e Lázaro no seu seio. E gritando ele, disse: Pai Abraão, compadece-te de mim, e manda cá Lázaro, para que molhe em água a ponta do seu dedo, a fim de me refrescar a língua, pois sou atormentado nesta chama. E Abraão lhe respondeu: Filho, lembra-te de que recebeste os bens em tua vida, e de que Lázaro não teve senão males; por isso está ele agora consolado, e tu em tormentos. E demais, e que entre nós e vós está firmado um grande abismo, de maneira os que os que querem passar daqui para vós não podem, nem os de lá passar para cá. E disse o rico: pois eu te rogo, Pai, que o mandes à casa de meu pai, pois tenho cinco irmãos, para que lhes dê testemunho, e não suceda eles também venham parar a este lugar de tormentos. E Abraão lhe disse: eles lá têm Moisés e os profetas; ouçam-nos. Disse pois o rico: não, pai Abraão, mas se for a ele alguns dos mortos, hão de fazer penitência. Abraão, porém, lhe respondeu: se eles não dão ouvidos a Moisés e aos profetas, tampouco se deixarão persuadir, ainda que seja ressuscite algum dos mortos." (Lucas, cap. XVI, 19,31.)

O texto bíblico acima pode ser sintetizado da seguinte forma: Havia um rico (mau) e um pobre (Lázaro), que ficava à porta do rico. O rico não distribuía ao Lázaro nenhuma das migalhas que lhe sobravam. Passou-se o tempo: Lázaro desencarna; o rico também. No mundo espiritual, Lázaro foi acolhido no seio de Abraão; o rico foi para o Hades (Inferno). O rico pedia para Lázaro molhar a sua língua. Abraão diz ser impossível, pois há uma barreira entre ambos. Tenta outro pedido: manda o Lázaro ir lá na Terra avisar os meus familiares sobre esses tormentos. Abraão fala que eles já têm Moisés e os profetas.

O rico, que atendia aos seus desejos de festa e luxúria, foi condenado a sofrer no fogo eterno. Há contradição com os ensinamentos de Jesus? Não. O rico foi condenado não por ser rico e desfrutar da sua riqueza, mas por não se comunicar com o pobre, por não atender à lei de cooperação, em que um deve ajudar o outro. Ele preferiu cuidar apenas de si e dos seus familiares.

Cuidar de si e da sua família contraria a lei natural? Não. O que está em jogo é o problema do auxílio ao próximo e o da segurança pessoal. Nesta parábola, Jesus quer nos ensinar o desapego aos bens materiais. Lembremo-nos do homem rico que O procurou e perguntou-Lhe sobre a salvação de sua alma. Jesus disse-lhe para vender tudo e acompanhá-Lo. Este volta para as suas riquezas. Não estava preparado para largar tudo e seguir o mestre. Queria segurança, conforto, bem-estar. Jesus não quer que doemos todos os nossos bens materiais aos mais necessitados; Ele quer que combatamos o egoísmo, que sejamos desapegados desses bens.

Segundo o relato, Lázaro, no mundo espiritual, está numa situação superior à do rico. É justo? Na terra, Lázaro estava numa situação de "carência"; o rico, de "abundância". Isso tudo para atender à lei de causa e efeito. O rico, porém, tinha uma responsabilidade a mais: distribuir os seus bens com os mais desafortunados. Não o fez. Por isso recebeu, no mundo espiritual, as penas de sua má conduta.

Ser pobre não é a condição necessária para ser levado ao seio de Abraão. Aqui é uma parábola e numa parábola há comparação, enigma e simbologia, que procuram mostrar outras realidades, geralmente de ordem moral e espiritual. Nesse sentido, Lázaro cumpriu o seu dever: nasceu pobre, sofreu, mas não se rebelou contra a Divina Providência. Teve méritos para ganhar o Reino de Deus. 

Ser rico não é condição necessária para ser levado ao inferno. O que sucedeu é que este rico, o rico da parábola, não foi um bom rico. Um rico que não soube compartilhar os seus bens com aqueles que os tinham em falta. Um rico que se apegou à riqueza, reservando-a somente aos seus familiares. Um rico que não se colocou como usufrutuário dos bens materiais, mas como o seu possuidor.

O abismo entre o rico e o Lázaro refere-se à condição moral e espiritual. Estando encarnados, a presença física mascara tal distância. Podemos estar juntos, mas os pensamentos podem caminhar para campos totalmente opostos, sem que isso se faça notar. Desencarnando, a realidade mostra o que cada um é interiormente. É nisso que consiste esse abismo. Nesse sentido, é possível que estejamos hierarquicamente acima de muitos irmãos. Contudo, uma vez desencarnados, eles poderão se situar em campos evolutivos muito mais superiores do que o nosso.

O rico não podendo receber o auxílio de Lázaro, pede para que Abraão o mande de volta à terra, para avisar os seus 5 irmãos. Por que não foi atendido? Em primeiro lugar, por que só os seus cinco irmãos? Não é uma forma de egoísmo? Em segundo lugar, Moisés e os profetas já tinham sido enviados. Como iriam escutar Lázaro, que o tinham como pobre e desprezado, se nem aos profetas eles procuraram atender?

Abraão, patriarca bíblico vindo da Mesopotâmia para as terras de Canaã, no reino de Hamurabi, por volta de 1850 a.C. De acordo com a tradição bíblica, Deus o havia retirado de uma região politeísta, a fim de fazê-lo guardião da revelação e do culto monoteísta. Abraão simboliza o homem escolhido por Deus para preservar o sagrado repositório da fé; o homem abençoado por Deus que lhe prodiga as promessas de numerosas descendências e imensas riquezas. É pai da multidão, o homem de fé.

Riqueza e pobreza é um problema secular à espera de uma solução. Somente a reencarnação pode nos oferecer uma luz no fim do túnel. Por quê? Fisicamente, uma vez dividida a riqueza em partes iguais, não demoraria muito para voltar aos níveis atuais. Espiritualmente, o ser humano necessita de passar ora pela prova da riqueza, ora pela prova da pobreza. Aí está a grandiosidade da Lei de Deus. Estar na situação de pobre ou de rico é o menos relevante. Importa mais verificarmos se estamos ou não atendendo à vontade de Deus a nosso respeito.

Esta parábola mostra a oposição que há entre amar a Deus e amar a Mamon. A riqueza não é um mal em si mesma porque, em boas mãos, ela pode promover o desenvolvimento da indústria e do comércio, propiciando melhores condições de vida para os habitantes de uma dada região. Lembremo-nos de que somos usufrutuários e não possuidores, nem mesmo do nosso corpo físico.


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Parábola do Semeador

Parábola é uma figura de linguagem que evoca paralelismo e comparação. Diz-se uma coisa para se entender outra. Conta-se uma história para se ter um desfecho de ordem moral. As parábolas contadas por Jesus mostravam a realidade terrestre, mas o seu objetivo era chamar a atenção para a realidade espiritual.

O texto bíblico diz que o Semeador lançou as sementes:

a) uma parte da semente caiu ao longo do caminho, e vindo os pássaros do céu a comeram;
b) outra caiu nos lugares pedregosos onde não havia muita terra; e logo nasceu porque a terra onde estava não tinha profundidade. Mas o Sol tendo se erguido em seguida, a queimou; e, como não tinha raízes, secou;
c) outra caiu nos espinheiros, e os espinhos, vindo a crescer, a sufocaram;
d) outra, enfim, caiu em boa terra, e deu frutos, alguns grãos rendendo cento por um, outros sessenta e outros trinta.
"Que ouça aquele que tem ouvidos para ouvir". (Mateus, cap. 13, 1 a 9)
O que é a semente? Quem é o semeador? A semente é a palavra de Deus. São avisos, advertências que nos fazem refletir sobre a salvação de nossa alma enfermiça. Jesus é o divino semeador. Ele ausentou-se da grandeza que lhe acolhe e veio até nós para nos ensinar o caminho da evolução espiritual. O semeador saiu a semear, ou seja, saiu para transmitir as palavras de vida eterna, que são sementes, avisos, advertências quanto ao reino de Deus..
A semente que caiu ao longo do caminho. "Todo aquele que escuta a palavra do reino e não lhe dá atenção, o espírito maligno vem e arrebata o que havia sido semeado em seu coração; é aquele que recebeu a semente ao longo do caminho". São as pessoas que se dedicam exclusivamente às coisas materiais, fechando os seus ouvidos para as coisas do espírito. O foco da atenção está na matéria; as palavras da vida eterna não lhes causam nenhum impacto.
"Aquele que recebeu a semente no meio das pedras é o que escuta a palavra, e que a recebe na hora mesmo com alegria; mas não tem raiz em si mesmo, e não está senão por um tempo; e quando sobrevêm os obstáculos e as perseguições por causa da palavra, a toma logo como um objeto de escândalo e de queda".
"Aquele que recebe a semente entre os espinhos é o que ouve a palavra; mas os cuidados deste mundo, e a sedução das riquezas, sufocam a palavra, e fica infrutífera".
"Mas, aquele que recebe a semente numa boa terra é aquele que escuta a palavra, que lhe presta atenção e que dá fruto, e rende cento, ou sessenta, ou trinta por um". (Mateus, cap. 12, 3 a 23)

A Parábola do Semeador é a parábola das parábolas porque sintetiza os caracteres predominantes em todas as almas. Ela representa as diferenças que existem na maneira de aproveitar os ensinamentos do Evangelho. Refletindo sobre os vários tipos de semente, expostos por Jesus, podemos nos avaliar e verificar como anda o nosso progresso espiritual.

O Espírito Emmanuel elucida-nos esta parábola da seguinte maneira: "Aprendendo a ciência de nos retirarmos da escura cadeia do ‘eu’, excursionaremos através do grande continente denominado ‘interesse geral’. E, na infinita extensão dele, encontraremos a ‘terra das almas’, sufocada de espinheiros, ralada de pobreza, revestida de pedras ou intoxicada de pântanos, oferecendo-nos a divina oportunidade de agir a benefício de todos". (Xavier, s.d.p., cap. 64)

A semente é sempre a mesma. Ela é de natureza divina. O terreno que lhe dá guarida é que deve se modificar para fazê-la crescer e dar frutos de cento por um.

Bibliografia Consultada


KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39 ed. São Paulo: IDE, 1984.
XAVIER, F. C. Fonte Viva, pelo Espírito Emmanuel. Rio de Janeiro: FEB, [s.d.p.]



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Obsessão

Obsessão é a influência que Espíritos inferiores exercem em determinados indivíduos. Decorre sempre de uma imperfeição moral, que dá ascendência a um Espírito mau. Reconhecemos a obsessão pelos seguintes caracteres: 1) persistência de um único Espírito em querer comunicar-se; 2) ilusão do médium, impedindo-o de reconhecer o ridículo e a falsidade da comunicação que recebe; 3) tomar por mal as críticas a respeito das comunicações que recebe; 4) desejo incessante e inoportuno de escrever; 5) disposição de se afastar das pessoas que lhe podem dar úteis avisos. (1)

Os graus da obsessão são: 1) Obsessão Simples: persistência do Espírito em comunicar-se, quer o médium queira, quer não, impedindo que outros Espíritos o façam; 2) Fascinação: ação direta exercida por um Espírito inferior sobre a do indivíduo, perturbando ou embaralhando suas idéias; 3) Subjugação: constrição exercida por Espírito (ou Espíritos inferiores), a qual paralisa a vontade de maneira contrária aos próprios desejos e sentimentos, levando-o à aberração das faculdades psicofisiológicas. Pode apresentar-se de forma moral ou corporal. (1)

Os Espíritos influenciam os encarnados pelas seguintes razões: 1) vingança que exerce sobre um indivíduo do qual teve do que se queixar durante sua vida ou numa outra existência; 2) desejo de fazer o mal (como sofre, quer que os outros sofram também); 3) covardia (aproveitam-se das fraquezas morais de certos indivíduos) (1)

Geralmente, achamos que estamos sendo obsedados pelos Espíritos menos felizes. Nem sempre é assim. Muitas vezes, somos nós que os obsedamos, principalmente quando um parente desencarna e nós ficamos pensando nele dia e noite. Os Espíritos superiores orientam-nos a orar por eles e deixar que cada qual siga o seu caminho.
A obsessão pode ser entendida como simbiose das mentes. Qual se verifica entre a alga e o cogumelo, a mente encarnada entrega-se, inconscientemente, ao desencarnado que lhe controla a existência, sofrendo-lhe temporariamente o domínio até certo ponto, mas, em troca, à face de sensibilidade excessiva de que se reveste, passa a viver, enquanto perdure semelhante influência necessariamente protegido contra o assalto de forças ocultas ainda mais deprimentes. (2)

Que relação há entre obsessão e vampirismo? Vampiro é toda entidade ociosa que se vale, indebitamente, das possibilidades alheias. Em se tratando dos Espíritos que sugam as energias dos encarnados, devemos reconhecer que eles atendem ao chamamento destes. De modo que a eliminação da influência menos feliz deve começar em nós mesmos. (3)

Há possibilidade de a possessão ser de um Espírito bom? Na obsessão há sempre um Espírito malfeitor. Na possessão pode tratar-se de um Espírito bom que queira falar e que, para causar maior impressão nos ouvintes, toma do corpo de um encarnado, que voluntariamente lho empresta, como emprestaria seu fato a outro encarnado. Isso se verifica sem qualquer perturbação ou incômodo, durante o tempo em que o Espírito encarnado se acha em liberdade, como no estado de emancipação, conservando-se este último ao lado do seu substituto para ouvi-lo. (4)

De acordo com o Espírito André Luiz, no afastamento do obsessor, devemos considerar: a) obsedado e obsessor comungam um mesmo estado de alma, dificultando a identificação da verdadeira da vítima, principalmente com a visão circunscrita ao corpo terrestre; b) existem processos laboriosos de resgate, em que, depois de afastados os elementos da perturbação e da sombra, perseveram as situações expiatórias; c) diante do obsedado, fixam apenas um imperativo imediato, afastamento do obsessor, mas, como rebentar, de um instante para outro, algemas seculares forjadas nos compromissos recíprocos da vida em comum? (5)

Bibliografia Consultada

(1) O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec, capítulo 23.
(2) Evolução em Dois Mundos, pelo Espírito André Luiz, capítulo 14.
(3) Missionários da Luz, pelo Espírito André Luiz, capítulo 4.
(4) A Gênese, de Allan Kardec, capítulo 14, item 48.
(5) Missionários da Luz, pelo Espírito André Luiz, capitulo 17 e 18.
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Maneira de Orar

Maneira é o modo ou forma particular de ser ou de agir. Costume, hábito, moda, postura, comportamento. A maneira de orar refere-se à postura física, mental e emocional, como também, às palavras que usamos para o nosso relacionamento com Deus. Podemos pedir qualquer coisa, inclusive as impossíveis, pressupondo que Deus irá obrigatoriamente nos atender.

Oração é rogo, súplica. A prece é uma invocação, mediante a qual o ser humano entra, pelo pensamento, em comunicação com o ser a quem se dirige. Pode ter por objeto um pedido, um agradecimento e um louvor. A prece é a maneira pela qual, através do pensamento expresso ou não em palavras, a criatura se liga ao Criador. É o meio de comunicação com Deus e com os planos mais altos da vida.

A condição fundamental para todas as orações é a certeza de que Deus nos ouve, de que toda a prece será atendida. Em vista disso, saibamos orar com humildade e consciência daquilo que estivermos pedindo. O atendimento, contudo, nem sempre se coaduna com aquilo que pedimos, mas com aquilo que necessitamos, pois Deus, sabedor de nossas necessidades, não nos deixará desviar de nossa meta evolutiva.

O nosso primeiro dever, ao nos levantarmos, é agradecer a noite transcorrida, o contato que tivemos, mesmo inconsciente, com os Espíritos de luz, recebendo deles inspirações para a resolução de nossos problemas. À noite, antes de adormecermos, devemos agradecer o dia transcorrido. Ao mesmo tempo, solicitarmos o auxílio desses benfeitores espirituais, a fim de nos acompanhem em nossa estada no mundo dos Espíritos.

O que devemos pedir em nossas orações? Os Espíritos superiores orientam-nos a pedir aquilo que realmente temos necessidade. Inútil, pois, pedir ao Senhor abreviar as nossas provas, dar-nos riqueza, bem-estar. "Pedi-lhe para vos conceder os dons mais preciosos da paciência, da resignação é da fé".

Quais são os obstáculos à oração? Falta de fé, falta de confiança e falta de obediência a Deus. Por maiores as nossas dificuldades, as nossas confusões e os nossos dissabores, o que não pode nos faltar é a confiança em Deus, que sempre está nos protegendo. Pensemos no seguinte texto: "Quando quiserdes orar, entrai para o vosso quarto e, cerrada a porta, orai a vosso Pai em secreto; e vosso Pai que vê o que se passa em secreto vos recompensará". – Jesus. (Mateus, 6,6). Em outras palavras, entremos em nosso quarto íntimo, façamos o nosso pedido, mas não tenhamos pressa do seu atendimento.

A prece nos proporciona a alegria da compreensão dos desígnios divinos. Pela prece nos desligamos deste mundo de provas e expiações e nos lançamos para os mundos mais felizes, em que reinam a paz e harmonia. "Não mais os ruídos confusos e a entonação aguda da Terra; são as liras dos arcanjos, a voz doce e suave dos serafins". Não temos palavras para definir esta felicidade. Apenas a sintamos no íntimo de nosso ser.
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