12 novembro 2008

Nascimento de Jesus e Virgindade de Maria

Mateus e Lucas, no início dos seus evangelhos, enfatizam a virgindade de Maria. Com palavras diferentes, consolam Maria e José sobre as dificuldades da geração de um filho sem o contato carnal. Maria indaga: como posso ter um filho sem contato com um homem? O anjo Gabriel, no entanto, foi até Maria e lhe confiou que ficaria grávida do Espírito Santo e geraria um filho de nome Jesus, o qual seria o salvador da Humanidade. Depois de refletir sobre a recomendação do anjo, Maria disse: "Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo ausentou-se dela". (Lucas 1, 38)

A virgindade de Maria pode ser analisada sob vários ângulos. Em diversas religiões antigas, a virgindade das deusas tinha um valor sagrado, ou seja, realçar a eterna juventude, a incorruptibilidade. Do ponto de vista do Velho Testamento – que prescrevia o aumento do povo de Deus –, a virgindade equivalia à esterilidade, que era uma humilhação, um opróbrio. No Novo Testamento, a virgindade de Maria – pelo seu desejo de guardar a virgindade –, ao contrário da humilhação, torna-se uma bênção para as mulheres que não tiveram filhos.

A questão que se levanta: há possibilidade de uma pessoa nascer sem o contato sexual, quer seja fisicamente, quer seja por meio de inseminação artificial? De acordo com a Lei Natural da Reprodução, isto é impossível. Podemos, contudo, fazer algumas ilações sobre a virgindade, não só a de Maria, mas também a de Jesus, a de Paulo e a de todos os que permaneceram nesta situação.

Muitos cristãos, principalmente padres e freiras, justificam a virgindade como sendo um caminho para a obtenção do Reino de Deus. Segundo Paulo, a virgindade é preferível ao casamento porque ela é um devotamento integral ao Senhor: o homem casado está dividido; os que permanecem virgens não têm o coração dividido, estão inteiramente consagrados a Cristo, têm com seu cuidado os interesses do Senhor e não se deixam distrair dessa atenção constante.

Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos, quando trata do casamento e divórcio, tópico da Lei de Reprodução, diz: "Deus não se contradiz nem considera mau o que ele mesmo fez. Não pode, pois, ver o mérito na violação da sua lei. Mas se o celibato, por si mesmo, não é um estado meritório, já não se dá o mesmo quando constitui, pela renúncia às alegrias da vida familiar, um sacrifício realizado a favor da Humanidade. Todo sacrifício pessoal visando ao bem e sem segunda intenção egoísta eleva o homem acima da sua condição material".

A virgindade, simbolicamente, pode ser vista em termos de pensamentos, palavras e atos. Se nossos pensamentos forem puros, as nossas palavras também o serão e conseqüentemente nossas ações. Eis o verdadeiro tripé para os arautos do Senhor.

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