21 julho 2008

Convidar os Pobres e os Estropiados

Pobre – do lat. paupere – significa aquele que não tem o necessário à vida; cujas posses são inferiores à sua posição ou condição social. Estropiado – do italiano stroppiare, através do espanhol estropear –, aleijado, mutilado.

São Lucas, no cap. XIV, vv. 12 a 15 do seu Evangelho, retrata "os pobres e os estropiados" nos seguintes termos: "... quando deres um jantar ou uma ceia, não convides os teus amigos, nem teus irmãos, nem teus parentes, nem teus vizinhos ricos; para não suceder que eles, por sua vez, te convidem e sejas recompensado. Antes, ao dares um banquete, convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos; e serás bem-aventurado, pelo fato de não terem eles com que recompensar-te; a tua recompensa, porém, tu a receberás na ressurreição dos justos".

A transmissão do conhecimento na época de Jesus era feita através de parábolas, ou seja, expressava-se um dado conteúdo tendo-se em mente o seu sentido alegórico. Além disso, para que possamos entender o alcance das palavras de Jesus, devemos valer-nos da dimensão cultural do povo judeu. Este era dominado pelos romanos, que ostentavam poder e erudição, desprezando os menos afortunados da sorte. É contra essas injustiças que Jesus endereçava a maioria de suas palavras.

Allan Kardec, no cap. XIII de O Evangelho Segundo o Espiritismo, esclarece-nos o sentido alegórico contido no texto evangélico. Diz-nos que o fundo do pensamento está em considerar os pobres e os estropiados como aquelas pessoas que não poderão retribuir, ou seja, devemos fazer o bem pelo bem, sem outra expectativa de recompensa. Ainda: explica-nos que por festins devemos entender, não o repasto propriamente dito, mas a participação na abundância de que desfrutamos.

"Os pobres e os estropiados", na concepção bíblica, exorta-nos à reflexão. Até que ponto estamos dando atenção aos poderosos, aos bem-ajustados na sociedade, em detrimento dos mais necessitados? Dessa forma, parece-nos que a tônica desse ensinamento é que saibamos renunciar ao nosso comodismo, a fim de auxiliar aos mais carentes, pondo em prática a máxima: "não são os sãos os que precisam de médico, mas os enfermos".

Façamos o bem pelo bem. Essa é a única fórmula capaz de dar-nos tranquilidade neste mundo de provas e de expiações em que vivemos.

São Paulo, 17/07/1999

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