12 setembro 2006

Não Colocar a Candeia debaixo do Alqueire

Candeia – do lat. candela, "vela de sebo ou de cera" – significa pequeno aparelho de iluminação, que se suspende por um prego. Alqueire – do ár. al-kail –, antiga medida de capacidade para secos e líquidos, variável de terra para terra. Não colocar a candeia debaixo do alqueire quer dizer, em vez disso, deve-se suspendê-la até o prego, a fim de que se produza iluminação para todas as pessoas do recinto.

A candeia e o alqueire são uma alegoria acerca do conhecimento. O conhecimento é uma relação entre o Sujeito e o Objeto. O Sujeito apreende o Objeto e dele tira o conteúdo da aprendizagem. Fá-lo, porém, por tentativas e erros, ou seja, à medida que toma consciência do erro, corrige-o até atingir a maior plenitude da verdade. Nesse sentido, deve-se evitar o tom dogmático e cético, procurando, pelo contrário, o equilíbrio através da ponderação racional.

Candeia e alqueire denotam não só a apreensão do conhecimento como também a sua transmissão. Não é a verdade que nos perde, mas a maneira de dizê-la. Dessa forma, a alegoria da candeia mostra que o conhecimento das coisas espirituais deve ser ministrado conforme a capacidade de absorção dos ouvintes. Um clarão pode ofuscar, enquanto a luz de uma vela pode representar o porto da salvação.

A comunicação via parábola explicita o nosso raciocínio. Quando Jesus pregava a Boa Nova, utilizava-se da linguagem exotérica e da esotérica. A linguagem exotérica refere-se às parábolas que Jesus contava ao público em geral. Afirmava que para entendê-la havia a necessidade de se ter olhos de ver e ouvidos de ouvir. Por outro lado, a sós com os discípulos, utilizava-se da linguagem esotérica, pois podia falar claramente as verdades espirituais. Contudo, mesmo entre estes, não falava tudo.

A comunicação caracteriza-se pela emissão,mensagem e recepção. Há que se ter cuidado na transmissão, porque se o receptor não capta, o esforço torna-se vão. É por isso que os amigos espirituais exortam-nos a cuidar da voz, da postura, dos gestos etc. Na atualidade, não temos mais desculpas linguísticas na perda de almas para o apostolado do Cristo. Precisamos estar preparados para essa nobre tarefa.

O alcance da palavra é infinito. Cuidemos, pois, para que de nossa boca saiam somente frases de luz, para que elas possam auxiliar-nos a construir um mundo mais fraterno e mais justo.

São Paulo, 18/08/1996.


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Um comentário:

Anônimo disse...

Obrigada por colocar o seu conhecimento à mercê de quem procurar.