06 novembro 2005

A Doutrina e seus Contraditores

Doutrina – Da etimologia latina doctrina que, por sua vez, vem de doceo "ensino". O sentido mais antigo é de ensino ou aprendizado do saber em geral, ou do ensino de uma disciplina particular. Modernamente tomou o sentido de um conjunto de teorias, noções e princípios coordenados entre eles organicamente que constituem o fundamento de uma ciência, de uma filosofia, de uma religião etc. Doutrinário – pessoa que obedece rigidamente aos princípios da própria doutrina, dando mais valor à teoria do que à prática.

A Doutrina dos Espíritos (ou o Espiritismo) tem o seu conjunto de princípios, catalogados por Allan Kardec. O Codificador deixa bem claro que os ensinamentos – contidos em suas obras – não são seus, mas expressão fiel das comunicações dos Espíritos superiores, desejosos de auxiliar a nossa evolução espiritual. Entre os seus princípios fundamentais estão: Existência de Deus, Reencarnação, Mediunidade, Lei de Causa e Efeito, Pluralidade dos Mundos Habitáveis etc.

Os contraditores são as pessoas que se opõem às idéias, aos sentimentos e às opiniões de alguém. Para os que sabem aproveitar, os adversários são pessoas úteis, porque nos apontam os defeitos que temos de corrigir. No âmbito dos ensinamentos espíritas, Allan Kardec observa que a maior parte das objeções que se fazem à doutrina provêm de uma observação incompleta dos fatos e de um julgamento precipitado. O Espírita sincero não deve temer a crítica e a oposição, pois isso fortalece o próprio Espiritismo. Exemplificando: a queima de livros em Barcelona não pôs em evidência o conteúdo doutrinal?

Allan Kardec, em O Que É o Espiritismo, narra três diálogos com os seus contraditores: o Crítico, o Cético e o Padre. Deixava entrever que, se uma pessoa fosse procurá-lo para discutir, ela já tinha estudado a questão sob todas as suas faces, visto tudo o que se podia ver, lido tudo o que sobre a matéria se tinha escrito e analisado e comparado as diversas opiniões. Para o crítico, por exemplo, que se diz ex professo, e que deseja publicar um livro demonstrando que o Espiritismo está em erro, Allan Kardec diz: "Se o Espiritismo é uma falsidade ele cairá por si mesmo; se, porém, é uma verdade, não há diatribe que possa fazer dele uma mentira".

Quem são os contraditores da atualidade? Na atualidade, o Espiritismo tornou-se uma espécie de status social, ou seja, dizer-se Espírita dá uma certa supremacia sobre as demais religiões. As contradições, assim, são mais veladas e se mantém no nível de idéias, principalmente aquelas calcadas pelas religiões dogmáticas, que insistem em dizer que o Espiritismo é coisa do diabo, do demônio. Observe a negação sistemática do Padre Quevedo. Para ele, os fenômenos mediúnicos são fraudes. Em todos eles, ele contra-ataca com uma fundamentação da Parapsicologia.

Dentre todas a contradições, a pior é a contradição conosco mesmos. Será que temos plena convicção do que professamos? Seguimos o Mestre até o sacrifício na cruz? Ou por qualquer dificuldade largamos o barco e procuramos outro credo?




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28 outubro 2005

Ideias Inatas

Ideias Inatas – Segundo a filosofia, são as ideias com as quais a gente nasce, que não se aprende. Para o Espiritismo, são o resultado dos conhecimentos adquiridos nas existências anteriores; são ideias que se conservam no estado de intuição para servirem de base à apreciação de outras novas. As ideias inatas não são mais do que a herança intelectual e moral que vêm das nossas vidas passadas.

Para os idealistas, o Espírito, o pensamento, a ideia é o fenômeno principal; a matéria, um epifenômeno. Para os empiristas, matéria é o fenômeno principal; o espírito, um epifenômeno. Esta divergência entre idealistas e materialistas ainda não chegou a um acordo satisfatório. Falta-lhes um elemento conciliador – o PERISPÍRITO –, que é o elo de ligação entre o Espírito e o corpo físico. Se dedicassem mais tempo à compreensão desse corpo energético, melhor compreenderiam a relação entre o sensível e o não sensível.

Platão foi o primeiro pensador a nos fornecer uma imagem das ideias inatas. Para ele, o homem deve passar além dos sentidos, ou seja, para as ideias que não se derivam da experiência, nem dela dependem. Em Kant, as ideias da razão pura são objetos de pensamento para os quais não podemos encontrar qualquer correspondência na nossa experiência; são as ideias da alma, do mundo e de Deus. Em Hegel, a Ideia é o princípio universal do devir, que engendra a Natureza e se torna Espírito. Para Descartes e os cartesianos, as ideias inatas são as que pertencem ao espírito do homem desde o nascimento e só dependem de sua própria natureza: extensão, substância, Deus...

Há relatos de crianças em que o quociente de inteligência é bastante alto. Algumas falam de assuntos que extrapolam as suas idades físicas; outras tocam maravilhosamente bem um instrumento musical; outras ainda possuem uma capacidade de memorização de estarrecer. A que se deve isso? Se elas não tiveram tempo de aprender, de onde tiraram esse saber? Conclusão: esses fatos só podem ser explicados pelo princípio da reencarnação, princípio este que mostra que todos já tivemos outras vidas antes desta. Através delas é que fomos adicionando informações e conhecimentos ao nosso passivo espiritual.

Na resposta à pergunta 218 A (A teoria das ideias inatas não é quimérica?) de O Livro dos Espíritos, os Espíritos superiores nos orientam que "Os conhecimentos adquiridos em cada existência não se perdem; o Espírito liberto da matéria, sempre se recorda. Durante a encarnação, pode esquecê-los em parte, momentaneamente, mas a intuição que lhe fica ajuda o seu adiantamento. Sem isso, ele sempre teria de recomeçar. A cada nova existência, o Espírito toma como ponto de partida aquele em que se achava na precedente".

O Espiritismo, como Doutrina codificada por Allan Kardec, trouxe-nos uma nova visão sobre o estoque de conhecimento existente. Cabe-nos debruçar sobre os seus princípios fundamentais, extraindo deles as instruções necessárias para o correto direcionamento do nosso Espírito rumo às ideias supremas do bem e do belo.



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23 outubro 2005

Teologia Druidica


O Druidismo é a religião dos sacerdotes pagãos que habitavam a Gália e a Bretanha no século II a. C. Como toda a religião, havia traços exotéricos e esotéricos. Os que não se aprofundaram na análise esotérica, ficaram com a impressão de que o druidismo é uma religião primitiva, principalmente por causa dos sacrifícios que impunha. Porém, ao penetrarem no âmago, no âmbito esotérico, mudaram de opinião, porque vislumbraram uma doutrina reveladora das altas verdades e das leis superiores do Espírito.

O corpo de sua teologia era baseado nas tríades. As Tríades eram formadas, utilizando-se de três tipos de ensinamentos, em que cada um completava os outros dois. Seria como o filho numa família constituída de pai e mãe. Quer dizer, para que o filho exista deve existir antes um pai e uma mãe. Faltando o pai ou a mãe, o filho não pode vir à luz. Nesse sentido, os ensinamentos são transmitidos de forma lógica, em que se atrelando um ao outro, tem-se todo o sistema organizado.

O conteúdo doutrinário da teologia druídica compunha-se de ensinamentos orais, em que as onze primeiras tríades dizem respeito a Deus e ao Universo. A primeira tríade, por exemplo, relaciona Deus, verdade e ponto de liberdade. As dez tríades seguintes partem sempre de Deus como doador da vida, do amor e da virtude. Ele é a garantia da realização terrena, porque Dele emana a ciência perfeita, o supremo poder, a suprema inteligência e tudo o que o homem precisa para saber distinguir o bem do mal.

Há, também, três círculos de existência: o círculo da região vazia (cegant) onde — exceto Deus — não há nada vivo nem morto e nenhum ser que Deus não possa atravessar; o círculo da migração (abred), onde todo ser animado procede da morte, que o homem atravessou; o círculo da felicidade (gwynfyd), onde todo ser animado procede da vida, que o homem atravessará no céu. Além disso, há três fases necessárias de toda a existência com relação à vida: começo em annoufn, a transmigração em abred e a plenitude em gwynfyd; e sem estas três coisas nada pode existir, exceto Deus.

Fica claro que a teologia druídica parte de um Deus supremo, situado muito além dos conhecimentos humanos. Tem-se a impressão que Deus é tudo e está em tudo, o que possibilitou a muitos definir o druidismo como um panteísmo materialista cheio de mistérios. Deixando de lado as questões terminológicas mais graves, fica claro que a alma começa do nada (Annoufn), passa por sucessivas migrações (Abred) até alcançar a região dos bem-aventurados (Gwynfyd).

Percebemos que o conteúdo esotérico da religião druídica foi bastante avançado para a sua época. Procuremos, pois, refletir sobre esses ensinamentos, comparando-os com aqueles veiculados pelas diversas religiões da atualidade.

Fonte: 

DENIS, L. O Gênio Céltico e o Mundo Invisível. Rio de Janeiro, CELD, 1995.

São Paulo, 03/12/1997
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21 outubro 2005

Ansiedade

O Medo e a ansiedade, características da personalidade neurótica, são, ambos, reações proporcionais ao perigo. No caso do medo, o perigo é manifesto e objetivo enquanto no da ansiedade é oculto e subjetivo. Este último, portanto, mais difícil de ser detectado e domado.

Todos, em menor ou maior grau, estamos sujeitos à ansiedade. O problema está na sua administração: uns preferem racionalizá-la, outros narcotizá-la e outros ainda evitá-la. Sempre que assim agirmos, estaremos nos distanciando da resolução do problema. Se, por exemplo, para esquecê-la afogamos-nos nas bebidas ou nos narcóticos, é possível que a conseqüência deste ato traga-nos, não uma diminuição, mas um aumento substancial da própria ansiedade.

O medo da solidão pode estimular a prática de atividades sociais. O sentimento de inutilidade, nesta situação, desencadeia pensamentos altruístas com relação ao próximo. Racionalizamos: já que estou sem fazer nada, por que não empregar o tempo em prol do meu irmão, em maior dificuldade que a minha? A idéia, em si mesma, não é má. Mas, estamos preparados psicologicamente para tal empreendimento? Ou será como um fogo-de-palha que mal acaba de acender e já se apaga? Qualquer tipo de caridade é bem recebida, contudo importa exercitá-la de forma consciente.

A ansiedade tem relação com a debilidade. A maioria de nós conhece relações entre casados, irmãos e amigos em que a pessoa neurótica age como um condutor escravo, usando a sua debilidade como chicote para obrigar o outro a atender às suas vontades, de modo a exigir atenção e auxílio permanentes. Esquecem-se de que cada um é o construtor do seu próprio destino. Talvez fosse importante termos sempre em mente: nunca peça ajuda ao outro naquilo que você pode fazer por si mesmo.

Quanto mais neurótica for a pessoa, tanto mais a sua personalidade se apresentará eivada de defesas. Tanto maior será, também, o número de coisas que ela não poderá fazer ou nem pensará fazer, conquanto fosse lícito esperar que as fizesse, em face de sua vitalidade, capacidade intelectual ou formação educacional. Quanto mais grave a neurose, tanto maior o número de inibições presentes, quer sutis, quer gritantes.

A cura real está na convivência pacífica com a ansiedade. Não adianta negá-la ou afogá-la, pois é somente tomando consciência de sua existência, isentos de idéias preconcebidas, que adquiriremos força para vencê-la.

São Paulo, 15/11/1999

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19 outubro 2005

Penas e Gozos Terrenos


Penas e gozos caracterizam o pensamento dicotômico, em que o 1.º termo assume papel relevante, de mais ênfase. Significa dizer que o sofrimento, a dor, a pena são maiores ou mais sentidos do que o prazer, o gozo, a alegria. Este tema evoca uma reflexão sobre a nossa existência no planeta Terra, classificado por Allan Kardec, como um mundo de provas e expiações.

Há possibilidade de separarmos o mundo terreno do mundo espiritual? Quer dizer, estando sob o jugo da matéria, o espiritual estará esquecido? Não, o que Allan Kardec está fazendo é um estudo didático: primeiro analisa as penas e gozos terrenos; depois trata das penas e gozos futuros. Mas como os Espíritos vêem a Terra? Eles sempre falam de um educandário, de um hospital, onde os seus habitantes estão purgando o mal, a fim de se potencializarem na prática do bem. Dessa forma, o nosso ponto de partida é o de que a Terra, sendo um mundo de provas e expiações, o mal nela predomina.

Observemos a felicidade. Será que podemos ser felizes ao lado de irmãos que não têm o necessário para o sustento físico? E por que esses são a maioria? É justamente devido à condição de nosso Planeta. Nesse sentido, nunca poderemos ter uma felicidade plena, a menos que não importemos com o nosso irmão menos aquinhoado. Quem pensa no irmão em dificuldade, dificilmente sentir-se-á feliz. É por isso que o justo é infeliz, pois lutando por uma distribuição mais justa tanto das riquezas materiais como espirituais, será sempre mal compreendido, além de ser desprezado, como o próprio Jesus e outros tantos missionários o foram.

Quais seriam, entretanto, as fontes de infelicidade? Perda de entes queridos, mortes prematuras, antipatias, ingratidão e doenças várias. Dentre elas, a ingratidão assume papel significante. Como, porém, enfrentar essa situação? Lembrando-nos de que a ingratidão é filha do egoísmo e o egoísta encontrará mais tarde corações insensíveis como ele próprio o foi. Além do mais, a ingratidão é uma prova para persistência na prática do bem. Convém ter para com eles muita tolerância e paciência, assim como o Pai Celestial teve e está tendo para conosco.

No meio desses dissabores, o suicídio, que é fruto do desgosto pela vida, corrói as nossas fibras mais íntimas. O que é que leva algumas pessoas ao suicídio? A ociosidade, a falta de fé e a má gestão da sociedade. Assim sendo, sabedores de que a sociedade pode ser injusta, no sentido de não nos oferecer a oportunidade para o sustento de nossa vida, convém não nos desesperamos, quando tal nos acontecer. A beleza não está na facilidade, mas na luta contra as adversidades e revezes, os quais serão levados em conta quando passarmos para a outra dimensão da existência.

Como o nosso mundo é dicotômico, ao lado dos sofrimentos, temos também alegrias, principalmente no contato com os amigos que se afeiçoam com o nosso modo de ser, incentivando-nos e dando-nos forças para continuarmos o cumprimento de nosso dever.

São Paulo, 03/04/2000




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15 outubro 2005

Mística e Espiritismo

A mística - do grego mystica, de myo, eu calo, é o termo utilizado para retratar a atividade que produz o contato da alma individual com o princípio divino. O modelo do pensamento místico é baseado no retiro de mundo, ou no desligamento das coisas do mundo e no da união com Deus para receber suas luzes.

A iluminação súbita pode ser verificada pesquisando a biografia dos grandes pensadores. O filósofo Sócrates que viveu no século V a. C. teve seu insight depois de uma visita que fizera ao Oráculo de Delfos, quando, a partir daí, passou a ensinar o conteúdo da autoconsciência do homem. René Descartes (1596-1650) teve sonhos que lhe indicaram sua missão divina: construir o método para a nova ciência. O íntimo da maioria dos grandes pensadores mostra essa relação com o divino.

O retiro do mundo marca o modo e vida dos religiosos. Hugo de São Vitor distinguia cinco graus ascéticos: primeiro, lectio ou doutrina; segundo, a santa meditação; terceiro, a oração; quarto, a operação; quinto, a contemplação. Em França, no século XVII, funda-se o Oratório, uma instituição religiosa, cujo objetivo era não uma Doutrina Comum mas uma tendência comum para a vida interior e mística, concedendo aos seus adeptos a liberdade mais completa de reverenciar Deus.

Como interpretar o modelo do pensamento místico à luz do Espiritismo? No capítulo I de A Gênese, Allan Kardec trata do problema da revelação divina. Diz-nos que a revelação direta de Deus não é impossível, porém faz-nos entender que a revelação é feita através da mediunidade, ou seja, pelos Espíritos mais próximos de Deus que pela perfeição se imbuem do seu pensamento e podem transmiti-lo. O codificador do Espiritismo pretende, ao analisar o caráter da revelação espírita, desmistificar a facilidade da obtenção do conhecimento divino. Diz-nos que a revelação espírita é de origem divina e da iniciativa dos Espíritos, sendo sua elaboração fruto do trabalho científico do homem. Procede da mesma forma que as ciências naturais: observa, formula hipóteses e tira conclusões.

Algumas seitas pregam a vida de isolamento e o voto de silêncio. Os Espíritos superiores, referindo-se à Lei de Sociedade, advertem-nos o seguinte: se o indivíduo se isola com a finalidade de melhorar a sociedade em que vive, é meritório; se , ao contrário, é para fugir do contato humano, é condenável, pois implica na satisfação do egoísmo.

A missão do Espiritismo é libertar a consciência do indivíduo, projetando-lhe a luz da razão. O Espírita necessita do isolamento, do silêncio e da reflexão, contudo, deve certificar-se de que esse estado de espírito esteja sendo encaminhado para a melhoria de si mesmo e do meio em que habita.

São Paulo, 15/10/1993
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14 outubro 2005

Alternativas da Humanidade com Relação ao Mundo Espiritual


Os pensadores da humanidade desenvolveram, ao longo do tempo, três concepções de mundo: Materialista, Idealista e Religiosa. De acordo com essas concepções, construíram as diversas doutrinas. As mais importantes para o propósito de nossos estudos dizem respeito ao Niilismo, ao Panteísmo, ao Dogmatismo Religioso e ao Espiritismo.

O Niilismo - do lat. nihil, nada, fruto da doutrina materialista - significa ausência de toda a crença. Como a matéria é a única fonte do ser, a morte é considerada o fim de tudo. Os adeptos do materialismo incentivam o gozo dos bens materiais, dizendo que quanto mais usufruirmos deles, mais felizes seremos. Como se vê, a conseqüência do niilismo é a corrida em busca do dinheiro, da projeção social e do bem-estar material.

O Panteísmo - do grego pan, o todo, e Theos, Deus - significa absorção no todo. De acordo com essa doutrina, o Espírito, ao encarnar, é extraído do todo universal; individualiza-se em cada ser durante a vida e volta, por efeito da morte, à massa comum. As conseqüências morais dessa doutrina são semelhantes às do materialismo, pois ir para o todo, sem individualidade e sem consciência de si, é como não existir.

O Dogmatismo Religioso afirma que a alma, independente da matéria, é criada por ocasião do nascimento do ser; sobrevive e conserva a individualidade após a morte. A sua sorte já está determinada: os que morreram em "pecado" irão para o fogo eterno; os justos, para o céu, gozar as delícias do paraíso. Essa visão deixa sem respostas uma série de anomalias que acompanham a humanidade, como, por exemplo, os aleijões e a idiotia.

O Espiritismo mostra-nos que o Espírito, independente da matéria, foi criado simples e ignorante. Todos partiram do mesmo ponto, sujeitos à lei do progresso. Aqueles que praticam o bem, evoluem mais rapidamente e fazem parte da legião dos "anjos", dos "arcanjos" e dos "querubins". Os que praticam o mal, recebem novas oportunidades de melhoria, através das inúmeras encarnações.

O progresso é indefinido. Tenhamos em mente que todo o dia é dia de renovar o destino. Aproveitemos, assim, todas as oportunidades que Deus nos concede.

Fonte de Consulta

KARDEC, A. Obras Póstumas. 15. ed. (popular), Rio de Janeiro, FEB, 1975.
São Paulo, 19/11/1998

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12 outubro 2005

Conhecimento do Futuro

A lucubração acerca do desconhecido é sem limite. Estamos sempre procurando algo além do dia que passa. E o futuro, não são poucos os que dele falam. Profetas, videntes, futurólogos, sensitivos etc.

O futuro relaciona-se com o tempo. Mas que é o tempo? Há muita dificuldade em defini-lo. Santo Agostinho, por exemplo, dizia-nos que se não lhe perguntassem sabia o que era, mas quando lhe perguntavam já não sabia mais. Por que? Observe o ano que corre. Ele é presente. Porém, estamos num determinado mês. Ora, todos os meses para frente são futuro, e todos os meses para trás, passado. O mesmo raciocínio pode ser feito com relação aos dias do mês. Do mesmo modo são as horas do dia. Quer dizer, no infinitamente pequeno, presente, passado e futuro se confundem.

Há possibilidade de conhecer o futuro? Como? Allan Kardec, no capítulo XVI do livro A Gênese, vale-se de uma comparação para se fazer entender. Diz ele: suponha um homem no pé da montanha e outro no topo. O do topo vê todo o caminho futuro, enquanto o debaixo não. O homem situado no alto pode descer da montanha e dizer para o que ficou em baixo: olha, mais à frente você será assaltado, alguém irá te ajudar, outro dar-te-á alimento etc. Quer dizer, o futuro para o homem debaixo é presente para o homem situado no topo.

Saindo do âmbito das coisas puramente materiais e entrando, pelo pensamento, no domínio da vida espiritual, veremos que a capacidade de conhecer o futuro depende do grau de evolução alcançado pelo Espírito. Assim, quanto mais desmaterializado for, maior será a visão do futuro, porque nada lhe impede os vôos do Espírito. Àquele agarrado à matéria, a dificuldade é maior, porque esta obnubila a transcendência para o além.

O futuro pode ser conhecido. Mas deve ser revelado? Os Espíritos advertem-nos que o futuro não deveria ser revelado para atender à vã curiosidade, mas para atender a um fim útil e sério. Profetas, videntes, médiuns e sensitivos podem, à sua revelia e através dos sonhos, da êxtase e dupla vista, receber prenúncios de um acontecimento futuro. Se tudo for revelado, como fica o exercício do livre arbítrio daquele que recebeu o aviso? Esta é a grande questão que deve ser levada em conta.

Os tempos mudam. Hoje, com o desenvolvimento da ciência, já não se comporta mais uma linguagem chula e cheia de mistérios. Os videntes devem falar mais como uma advertência do que como uma fatalidade.

Fonte de Consulta

KARDEC, A. A Gênese. 17 ed., (popular), Rio de Janeiro, FEB, 1975.

São Paulo, 20/05/1998
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11 outubro 2005

Coragem da Fé

"Todo aquele que me confessar e me reconhecer diante dos homens, eu o reconhecerei e confessarei também, eu mesmo, diante do meu Pai que está nos céus; e todo aquele que me renegar diante dos homens, eu o renegarei também, eu mesmo, diante do meu Pai que está nos céus". (Mateus, 10, 32 e 33)

Uma vez consolidada a fé nos dizeres do Evangelho, o discípulo sincero deve atender ao chamamento do seu coração, seguir as determinações da sua consciência e enfrentar as adversidades da vida. Há oportunidade que surge apenas uma vez; saibamos aproveitá-la, refulgindo a nossa luz diante dos homens. A luz, invariavelmente, sofre o assédio das sombras. Não temamos, pois nenhuma ideia nova foi até agora implantada sem lutas, sem esforço. Observe a vida dos grandes homens. Quantos deles não morreram em fogueiras?

Recuar, justamente no momento em que formos chamados a exemplificar o Mestre Jesus, é uma covardia sem tamanho. Para tanto, busquemos forças no âmago de nosso ser. Caso nos sintamos fracos para tal empreendimento, peçamos o auxílio dos benfeitores espirituais. Eles estão sempre prontos a nos ajudar. Lembremo-nos de que "aqueles que tiverem medo de ser confessar discípulos da verdade não são dignos de serem admitidos no reino da verdade". Assim, convém anular a nossa personalidade, o nosso ego, a fim de que o "eu divino", o "eu cósmico" sobressaia e interpenetre tudo o que for de nosso usufruto.

A coragem da fé implica em carregar a cruz, nem mais leve e nem mais pesada. Carregar a cruz é sofrer os reveses de uma sorte adversa. Assim, quando estivermos sendo massacrados pelos nossos adversários, quando falarem mal do nosso nome, quando nos ofenderem, regozijemo-nos, pois, o mal que nos fizerem reverterá em nosso benefício. Esta foi a tônica das ações dos discípulos ao longo do tempo. Por que hoje seria diferente? Convém, para o nosso próprio bem, aceitarmo-nos tais quais somos, atendendo de bom grado as imposições do mestre a nosso respeito.

Enfrentemos corajosamente as tribulações que nossa fé acarretar. Nada de pusilanimidade no momento em que Jesus estiver nos chamando para a salvação; a admissão no reino da verdade exige a perda da própria vida. Nesse mister, coloquemos tudo nas mãos de Deus, renunciando aos nossos gostos, à nossa comodidade e à nossa preguiça. Calemos as discórdias, soframos as incompreensões e esperemos onde todos desesperam. Suportar a nossa sina é vencê-la.

Por maiores as dificuldades que a vida se nos impõe, prossigamos no firme propósito de levar aos semelhantes uma parcela do muito que estamos recebendo da Bondade Divina.

São Paulo, 22/10/2003
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09 outubro 2005

Ciência e Espiritismo

A ciência é um conjunto de conhecimentos organizados relativos a uma determinada matéria, comprovado empiricamente. Os requisitos fundamentais da ciência são: regularidade, observação, previsão, experimentação, causalidade e testes estatísticos. Ela não aceita soluções provisórias nem tampouco lucubrações literárias. Tudo deve ser colocado à prova dos fatos.

A ciência espírita procede da mesma forma que as ciências naturais. O cientista natural observa, experimenta, faz hipóteses e tira conclusões. As conseqüências serão aceitas se confirmadas pela experiência sensorial dos fatos. O cientista espírita observa, experimenta, formula hipóteses e tira conclusões. As conseqüências serão aceitas se comprovadas pela experiência extra-sensorial. O procedimento é o mesmo. A diferença consiste na natureza das percepções consideradas.

Um estudo acurado do Espiritismo mostra-nos que a ciência não pode existir sem o Espiritismo nem o Espiritismo sem ela. Por que? Há no universo dois princípios fundamentais: o princípio material e o princípio espiritual. A ciência incumbir-se-ia de processar a revolução material; o Espiritismo encarregar-se-ia de estimular a revolução moral. O elo de ligação entre o Espírito e a matéria está no perispírito. O Espiritismo não inventou o perispírito, nem os Espíritos. Apenas teorizou o fato observado.

A ciência aumentou sobremaneira a capacidade de instrumentalização do homem. Desenvolvendo tecnologias avançadas, liberou a mão de obra para atuar na área de serviços e pesquisas científicas. À medida em que a ciência avança, o indivíduo fica com mais tempo livre. O Espiritismo surge para dar uma direção não só ao tempo livre do homem como também à criação e utilização da nova tecnologia. Sem uma clara distinção entre o bem e o mal, podemos enveredar todo o nosso progresso científico para a destruição de nosso planeta.

O Espiritismo surgiu no momento oportuno, quando as ciências já tinham desenvolvido o método teórico-experimental, facilitando a sua aceitação com mais naturalidade. Sabe-se que cada um deve progredir por si mesmo, descobrindo as suas próprias verdades. Porém, a presença de um professor diminui o tempo que levaríamos, caso quiséssemos descobrir tudo por nós mesmos. O Espiritismo é esse professor que nos estimula o pensamento na busca da verdade.

Exercitemos o nosso pensamento científico. Saibamos rechaçar toda e qualquer opinião que não tenha respaldo nos princípios espíritas codificados por Allan Kardec.



Fonte de Consulta


KARDEC, A. A Gênese - Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo. 17. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1976.
CURTI, R. Espiritismo e Reforma Íntima. 3. ed., São Paulo, FEESP, 1981.
São Paulo, 18/10/1995

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Complemento



Há sempre razão de se conhecer as coisas com mais precisão. As relações entre ciência e fé persistem por muitos séculos. Conta-se que Galileu, que se retratou, para não morrer queimado, é sempre citado na oposição entre fé e ciência. Esse detalhe ocorreu na Idade Média. De lá para cá, a religião refez muitos de seus conceitos e, hoje, a teologia cristã aceita tranqüilamente os avanços da ciência moderna, que condiz com a revelação divina.


Observa-se, por outro lado, a ferrenha oposição dos cientistas aos artigos de fé. Isso começou com o advento da ciência moderna e perpetuou-se com o positivismo de Comte e de Littré e o evolucionismo de Darwin. Disto resultou o aparecimento de um materialismo exacerbado, pois a fé foi posta de lado e a ciência quer explicar tudo, inclusive as coisas de Deus. Ela deve limitar-se aos seus casos particulares e não ter a pretensão de ser a verdade total.
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05 outubro 2005

Natal e Propaganda

Natal – do lat. natale, relativo ao nascimento; dia em que se comemora o nascimento de Cristo (25 de dezembro). Propaganda – publicidade de bens e serviços através dos meios de comunicação, principalmente a televisão.

A repetição, a intensidade e a clareza dos estímulos de propaganda têm o objetivo de criar no consumidor um "reflexo de compra". Embora as condições sejam diferentes, segue as mesmas regras estabelecidas por Pavlov na criação de "reflexos condicionados". Fazendo coincidir várias vezes um sinal luminoso com a apresentação de alimento ao cão, Pavlov observa que, após a repetição de muitas experiências , provocam-se emissão de suco gástrico mediante a simples exposição do sinal luminoso.

Papai Noel, símbolo do Natal, é usado pelos comerciantes, a fim de incrementar as vendas dos seus produtos no final de cada ano. O espírito do natal, segundo a propaganda, está relacionado com a fartura da mesa, a quantidade de brinquedos e outros produtos que o consumidor possa ter em seu lar. Será esse o verdadeiro espírito do natal? Qual é esse espírito?

O espírito do natal deve ser entendido como a revivescência dos ensinos de Cristo em cada uma de nossas ações. Não há necessidade de esperarmos um ano para comemorá-lo. Se em nosso dia-a-dia estivermos estendendo simpatia para com todos e distribuindo os excessos de que somos portadores, estaremos aplicando eficazmente a "boa nova" trazida pelo mestre Jesus.

"Não se pode servir a Deus e a Mamon", diz o Evangelho. A perfeição moral exige distinção entre espírito e matéria. As riquezas existem para auxiliar o homem no seu aperfeiçoamento espiritual. Se lhes dermos demasiado valor, poderemos obscurecer nossa iluminação interior. Útil se torna, conscientizarmo-nos de que somos usufrutuários e não proprietários dos bens terrenos, se quisermos penetrar na profundidade das máximas deixadas pelo Cristo.

Observemos, ponderemos e analisemos o teor das propagandas televisivas. Um comportamento refletido nos ensinos de Cristo estimula-nos a despender esforços constantes, a fim de renunciarmos ao desordenado desejo de possuir. Vençamos o egoísmo e o orgulho, se quisermos usufruir da felicidade plena e perene.

São Paulo, 29/12/1994


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04 outubro 2005

A Piedade


Piedade é um termo usado em duplo sentido: 1) devoção e respeito por pessoas ou coisa dignas de veneração; 2) compaixão, dó, pena. Neste último sentido, reflete, muitas vezes, um sentimento passageiro que leva a palavra ou gestos sem valor real. Podemos, por exemplo, dar pêsames a uma viúva sem, contudo, compartilhar da sua dor. Reflitamos, pois, sobre este tema.

A piedade é a precursora da caridade. Em realidade, a piedade origina-se de um sentimento de compaixão para com o próximo. O ser humano, quando tem por princípio a piedade, se enternece da dor alheia: esquece-se de si mesmo e dedica-se totalmente à satisfação das necessidades alheias. Para tanto, coloca em prática o "amar a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a si mesmo". Pode-se dizer que a piedade é o princípio, o ensejo, o desejo de praticar uma boa ação. Quando da sua execução, transforma-se em caridade. Por isso, são consideradas irmãs.

A piedade mostra o grau de evolução do ser humano; é a virtude que mais nos aproxima dos anjos Ela é a simpatia espontânea e desinteressada que se antepõe à antipatia gratuita ou despeitosa. O ser, possuidor desta excelsa virtude, jamais pede alguma coisa e distribui tudo quanto possui. Por isso, os amigos espirituais estão sempre nos convidando a deixar o nosso coração se enternecer diante das misérias e sofrimentos alheios, e mesmo nascendo ao lado infelicidade, tira-nos o vazio dos gozos terrestres.

O Divino Messias praticou-a com galhardia. Ele nos ensinou o amor-abnegação e o amor-sacrifício. Se todos os povos retornassem aos tempos da pureza primitiva do Evangelho, a Terra seria um planeta em que a felicidade jorraria por todos os lados, porque cada ser humano agiria com concórdia e paz para com o seu irmão. Ao mesmo tempo, teriam sempre inspirações para domar o egoísmo e o orgulho. A sua prática, longe está de causar aborrecimentos, pois ao revitalizarmos o ânimo de um irmão infeliz, é a nós mesmos que estamos revitalizando.

Dizemos que seguidores do Cristo. Contudo, para que se efetive tal procedimento, devemos imitar os exemplos de Jesus. Algumas situações contraditórias: ajudo, mas este homem é viciado; atenderei, entretanto, essa irmã é cruel; compadeço-me, todavia, esse irmão é ingrato. O Espírito Emmanuel diz-nos que a verdadeira piedade é filha legitima do amor. Não perde tempo na identificação do mal. Interessa-se excessivamente no bem para descurar-se dele em troca de ninharias. Acrescenta: "Ninguém guarde a presunção de elevar-se sem o auxilio dos outros; embora não deva buscar a condição parasitaria para ascensão".

O que nós sabemos foi extraído de alguém que já passou por este Planeta antes de nós. Por isso, devemos sempre nos colocar numa situação de humildade frente a todos os acontecimentos da vida. Esta é a verdadeira piedade para com o nosso próximo.

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03 outubro 2005

Obras Básicas e Complementares

A Doutrina Espírita deve ser conhecida através do estudo das Obras Básicas e das Complementares. Nosso propósito é apresentá-las de forma sucinta e objetiva.

As Obras Básicas, também, cognominadas de Pentateuco Espírita, compõem-se dos seguintes livros : O Livro dos Espíritos (1857), O Livro dos Médiuns - ou Guia dos Médiuns e dos Doutrinadores (1861), O Evangelho Segundo o Espiritismo (1864), O Céu e o Inferno - ou Justiça Divina Segundo o Espiritismo (1865) e A Gênese - os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo (1868).

As Obras Complementares, que dão extensão às Obras Básicas, são de cunho mediúnico e não mediúnico. Entre as não mediúnicas, citam-se os escritos de Gabriel Delanne, Leon Denis, Camile Flammarion, J. Herculano Pires, Edgar Armond e outros. Entre as obras mediúnicas, estão os livros psicografados por Francisco Cândido Xavier, Divaldo Pereira Franco e outros.

A literatura espírita, sendo vasta e diversificada, acarreta dificuldade na escolha de bons livros para pesquisa. Do ponto de vista doutrinário, as Obras Básicas e as dos autores encarnados têm preferência. Os romances mediúnicos são classificados num segundo plano de importância. As mensagens estariam em terceiro lugar. Essa escala de valores não deve ser rígida, visto cada Espírito estar num nível de evolução espiritual distinto, requerendo, portanto, alimentos espirituais diferenciados.

O contato inicial com a Doutrina dos Espíritos pode ser feito aleatoriamente, ou seja, via dor, via leitura de um romance, ou mesmo por intermédio de uma mensagem que nos caia nas mãos. O despertamento para a realidade espiritual pode vir de mil formas. Importa, uma vez inteirado de que o Espiritismo é uma vivência válida para nossa vida, estudá-lo de forma racional.

Os livros espíritas podem ser encontrados nas livrarias e nas bibliotecas. Se nossas escolhas se prenderem somente aos romances mediúnicos, ou às mensagens espirituais, não estaremos absorvendo os fundamentos básicos da Doutrina, portanto criando um viés em nosso modo de pensar. Urge reconhecer que o Espiritismo é uma filosofia científica de consequências morais. Atendamos, pois, aos três aspectos de nossa doutrina.

São Paulo, 12/12/1998
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02 outubro 2005

Allan Kardec e o Livro dos Espíritos


Allan Kardec, pseudônimo de Hippolyte-Léon Denizard Rivail, nascido em 3 de outubro de 1804 e desencarnado em 31 de março de 1869, foi a pessoa escolhida para codificar a Doutrina dos Espíritos, um novo marco na história da Humanidade. O Livro dos Espíritos contém os fundamentos básicos para a compreensão de todo o arcabouço filosófico do Espiritismo e suas conseqüências para a mudança comportamental dos indivíduos. Elaboremos algumas idéias.

Allan Kardec, além de professor, era também estudioso do magnetismo. Em 1854, o seu amigo Fortier, magnetizador, dissera-lhe que se podia magnetizar uma mesa; tempos depois, acrescentara que a mesa, além de ser magnetizada, podia também falar. É desse diálogo que brota o seguinte pensamento de Kardec: "Só acreditarei quando o vir e quando me provarem que uma mesa tem cérebro para pensar, nervos para sentir e que possa tornar-se sonâmbula. Até lá, permita que eu não veja no caso mais do que um conto para fazer-nos dormir em pé".

Em 1855, Allan Kardec começou a frequentar as reuniões mediúnicas na casa do Sr. Baudin, em que a médium Caroline intermediava o Espírito Zéfiro, o qual respondia às perguntas das pessoas presentes. Ele levava um caderno e anotava tudo o que lhe chamava a atenção. Certo dia, quebrando o hábito, indagou se lhe era possível evocar o Espírito Sócrates. Zéfiro responde que Sócrates tem assistido àqueles colóquios, pois você o consulta amiúde mentalmente. Kardec confessa que realmente tinha pensado no filósofo grego na expectativa de obter dele a verdadeira "filosofia dos Espíritos". Posteriormente, levava as suas próprias perguntas, o que lhe deu o ensejo de editar O Livro dos Espíritos.

A primeira edição de O Livro dos Espíritos era em formato grande, in-8.º, com 176 páginas de texto, e apresentava o assunto distribuído em duas colunas. 501 perguntas e respectivas respostas estavam contidas nas três partes em que então se dividia a obra: "Doutrina Espírita", "Leis Morais" e "Esperanças e Consolações". Sobre a publicação do livro, G. Du Challard diz: "O Livro dos Espíritos, do Sr. Allan Kardec, é uma página nova do próprio grande livro do infinito e, estamos persuadidos, uma marca será posta nesta página". Atualmente, O Livro dos Espíritos contém 1019 questões.

O conteúdo filosófico, exposto em O Livro dos Espíritos, tem aproximadamente 150 anos de existência. E o que são 150 anos para a mudança de mentalidade? Muito pouco. Na prática, verificamos que pensamento coletivo ainda está fortemente alicerçado nos preconceitos e superstições das religiões oficiais. Contudo, para que haja um verdadeiro progresso espiritual da Humanidade, urge sairmos para semear a boa semente, no sentido de tornarmos público os conhecimentos espíritas mesmo, que para isso, soframos o desprezo e o ódio daqueles que não estão capacitados a perceber essa nova verdade.

Estudemos criteriosamente O Livro dos Espíritos. Somente assim poderemos ser a verdadeira luz para aqueles que ainda não tiveram oportunidade de entrar em contato com este libertador de consciências.

São Paulo, 27/02/2004

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01 outubro 2005

Chico Xavier


Francisco Cândido Xavier nasceu no dia 2 de abril de 1910, na cidade de Pedro Leopoldo, Minas Gerais, começando o seu longo sofrimento desde os primeiros anos de sua existência. Quando tinha 5 anos de idade sua mãe veio a falecer. De família numerosa e poucas posses, seu pai achou por bem distribuir os filhos entre os parentes. Na diáspora da família, Chico vai para a casa da madrinha, dona Maria Rita de Cássia, uma mulher extremamente maldosa que, entre outras, dava-lhe uma surra todo o dia, enfiava o garfo em sua barriga e, certa vez, obrigou-o a lamber a ferida de um outro menino adotivo.

O fenômeno mediúnico é o marco fundamental de sua existência. Hoje, tem mais de 400 obras psicografadas, que transformadas em tempo, perfazem aproximadamente 11 anos de transe mediúnico. Sua atividade mediúnica começou desde garoto, isto é, desde os 5 anos de idade, quando já conversava com sua mãe desencarnada. Dela recebia uma série de conselhos que o ajudaram a suportar todos os revezes e dissabores de sua infância sofrida junto à sua madrinha. Educado no catolicismo, não foi muito fácil a aceitação dos parentes e amigos sobre o desenvolvimento de sua mediunidade.

O Espírito Emmanuel é o seu guia protetor. Esse espírito, como a maioria dos Espíritas sabe, foi Públio Lêntulus, senador romano da Antiguidade. Diz-se também que ele teve uma reencarnação no Brasil como Padre Manoel da Nóbrega. É por intermédio de Emmanuel que o Chico Xavier escreveu a maioria de seus livros. Além disso, guia-o, inclusive, no aprimoramento do idioma português, para melhor expressar a Doutrina dos Espíritos. Confessa isso no programa Pinga Fogo, levado ao ar pela antiga TV Tupi, em 1971.

A vida de Chico Xavier é entremeada de muitos fatos, entre os quais, relatamos: 1º) para auxiliar um cego que tinha sofrido uma queda, precisou da colaboração de 2 prostitutas, que depois mudaram de vida em virtude de suas preces; 2º) relata o episódio do avião, que em pleno vôo começou a fazer peripécias no espaço e, ele como os demais tripulantes, começaram a gritar no que Emmanuel retruca: "Se tiver de morrer, morra com educação"; 3º) sua vizinha roubava-lhe as verduras. Pede auxílio à sua mãe, já desencarnada. Esta aconselha-o, quando todos saírem, a entregar a chave da casa para a vizinha tomar conta. Consequência: acabou o furto.

Emmanuel, o grande protetor do Brasil, cujas obras evangélicas constituem o 5º Evangelho, dá sempre orientações ao médium Chico Xavier. Fala-lhe sobre a disciplina, a porta estreita e o caminho reto. Diz que as limitações físicas não devem ser consideradas como obstáculos, mas um grande incentivo à pratica da mediunidade, pois quem poderia afirmar que a riqueza, a saúde, a comodidade e outras facilidades não lhe tirariam a devida concentração e meditação para o trabalho mediúnico?

Todo o espírita deveria conhecer a biografia de Chico Xavier, pois, quer queiramos ou não, a sua mediunidade é responsável pela maioria de nossas idéias acerca do Espiritismo.

Fonte de Consulta

IBSEN, S. R. (Organizador). Chico Xavier por ele mesmo. São Paulo, Martin Claret, 1994.


São Paulo, 22/07/1998

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